Actio
Nova IA
Edição teste 1
2 set. 2026
Por Rodrigo Pereira Martins Ribeiro
A inteligência artificial já aparece na Justiça e no trabalho jurídico. O que vale acompanhar agora
Uma leitura quinzenal sobre inteligência artificial, tecnologia, processo e prática jurídica.
Esta é a edição teste da Newsletter Actio Nova IA. Ela nasce de uma vontade simples: reunir notícias relevantes sobre IA, tecnologia e Justiça e aproximá-las das situações que quem trabalha com Direito efetivamente encontra.
Tribunais brasileiros · advocacia e IA · Direito e mundo · uma dica para o uso cotidiano
Justiça e tecnologia no Brasil
Leitura principalUma ferramenta criada no TRF-3 ganha escala nacional
O Conselho Nacional de Justiça informou que a LIA3R, desenvolvida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, passou a integrar a Plataforma Digital do Poder Judiciário Brasileiro. A solução reúne recursos de apoio à elaboração de minutas, à pesquisa e à síntese de documentos, com uso voltado às equipes dos tribunais que aderirem à plataforma.
O dado mais interessante não é apenas o nome da ferramenta. A notícia mostra como experiências locais começam a ser tratadas como infraestrutura compartilhável. Isso não significa que uma mesma solução produzirá efeitos idênticos em todo o país. A adesão, a organização do tribunal e o modo de uso continuam a importar. Mas há uma mudança de escala: a discussão sobre IA no Judiciário passa também pelo modo de desenvolver, testar e distribuir soluções públicas.
Pesquisa com a advocacia mostra que a discussão já tem escala nacional
O Fórum Nacional de Inteligência Artificial na Advocacia foi aberto com a apresentação de uma pesquisa que ouviu 18.668 profissionais. Entre os participantes que declararam usar IA generativa, cerca de 77% apontaram o ChatGPT entre as ferramentas utilizadas. Os resultados completos ainda serão divulgados.
O dado não resolve a discussão sobre uso profissional de IA, mas mostra que ela já não está restrita a escritórios especializados. A pauta reúne formação, sigilo, proteção de dados, ferramentas de pesquisa e preservação das prerrogativas.
Uma boa pergunta para acompanhar essas iniciativas
Não basta perguntar se o tribunal ou o escritório usa inteligência artificial. Também interessa saber para qual tarefa, com quais dados, sob qual supervisão e com que possibilidade de explicação e revisão.
Essa pergunta evita dois atalhos comuns: imaginar que toda automação equivale a melhoria e tratar como irrelevantes experiências que podem, aos poucos, redesenhar rotinas de trabalho.
Direito e tecnologia no mundo
Um desenvolvimento externoNa Europa, a aplicação do AI Act começa a ganhar contornos mais concretos
Desde 2 de agosto, a Comissão Europeia e as autoridades nacionais passaram a exercer competências de implementação e fiscalização previstas no AI Act. Para determinados sistemas, as regras já alcançam a informação de que o usuário interage com IA, a identificação de deepfakes e marcas legíveis por máquina em conteúdos sintéticos.
A atualização mais recente da Comissão também ajuda a situar o calendário: outras categorias, como sistemas de alto risco do Anexo III, têm aplicação prevista para dezembro de 2027. O modelo europeu não se transfere automaticamente ao Brasil. Ainda assim, é uma referência útil porque desloca o debate de princípios amplos para escolhas operacionais: como informar, documentar e demonstrar conformidade.
Em poucas linhas
Brasil e exterior- 01
Brasil prepara nova infraestrutura de computação para IA
O LNCC conduz a implantação de um supercomputador de alto desempenho em Macaíba, no Rio Grande do Norte. O projeto prevê capacidade para treinamento e inferência de modelos, pesquisa e inovação. Mais do que um anúncio de equipamento, trata-se de uma discussão sobre capacidade computacional nacional.
Fonte: LNCC - 02
Tribunais estaduais norte-americanos encerram fase de sandbox e mudam o foco
O National Center for State Courts informou o encerramento de seu ambiente de testes em IA para priorizar ferramentas educacionais, orientação prática e infraestrutura comum de pesquisa. É um movimento interessante porque sugere uma passagem da experimentação inicial para a organização institucional do uso dessas tecnologias.
Fonte: NCSC
Antes de usar uma ferramenta, três perguntas ajudam a começar melhor
Em trabalhos jurídicos, a primeira escolha não precisa ser complicada. Antes de inserir um material em uma ferramenta, convém saber qual conta está sendo usada, como o serviço trata aquele conteúdo e que resultado se espera obter. A resposta define se a ferramenta é adequada para a tarefa e qual será o nível de revisão necessário depois.
É uma conta pessoal, institucional ou de equipe? As configurações e os recursos disponíveis podem mudar.
O documento contém informações reservadas, dados pessoais ou elementos que pedem tratamento mais cuidadoso?
A ferramenta servirá para organizar ideias, resumir um material ou apoiar uma conclusão que exigirá conferência de fonte?