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Consulta

Vocabulário de IA para o trabalho jurídico

Todos os 115 termos do site, reunidos em uma única página para consulta, busca e remissão direta. Comece pelo termo que encontrou em uma ferramenta ou em uma página do site; as remissões indicam os conceitos e percursos relacionados.

115 termos

A

Ação irreversível (irreversible action)

Bloco 3
Conceito
Ação cujo efeito não se desfaz pelo próprio sistema: enviar mensagem, protocolar, apagar sem lixeira, sobrescrever arquivo sem versão anterior, conceder acesso a terceiro, publicar.
No trabalho jurídico
Envio, compartilhamento e protocolo podem produzir efeitos que a exclusão do arquivo não desfaz. Defina a conferência e a autorização necessárias antes da ação.
O que decidir
Liste, antes de ligar o fluxo, quais ações dele são irreversíveis. Se a lista não estiver clara, o fluxo ainda não está pronto para rodar sobre material real.
Exemplo
Automação de organização de pasta que sobrescreve arquivos de mesmo nome. A operação é banal, o efeito é definitivo, e a versão anterior da minuta não volta.

Agente (agent)

Bloco 3
Conceito
Sistema que executa tarefas em etapas com algum grau de autonomia: recebe um objetivo, decide os passos, aciona ferramentas, avalia o resultado de cada passo e prossegue — sem que cada movimento seja pedido pelo usuário.
No trabalho jurídico
O agente pode realizar várias etapas entre intervenções humanas, mas também pode apresentar um plano, pedir aprovação e permitir interrupção. Defina o que ele pode executar, o que exige decisão prévia e quais registros permitirão conferir o percurso.
Não confundir com
automação. A automação repete passos fixos que alguém definiu; o agente escolhe os passos. Previsibilidade e flexibilidade trocam de lugar.
O que decidir
Antes do primeiro uso: o que ele pode ler, o que pode escrever, o que não pode fazer sozinho e onde para para pedir aprovação.
Exemplo
Agente que recebe duas versões de uma peça e devolve quadro com alterações de linguagem, mudanças de conteúdo e possível impacto sobre a tese — lendo os arquivos, comparando e formatando a saída, em etapas próprias.

Fontes conceituais Anthropic — agentes e fluxos

AGENTS.md

Bloco 3
Conceito
Arquivo de instruções colocado dentro de um projeto para orientar o agente que ali trabalhar: regras, limites, padrões de organização e forma de atuação.
Erro comum
escrever o arquivo e presumir observância integral. Vale o que vale toda instrução em linguagem natural: reduz o desvio, não o elimina.
Exemplo
Arquivo que fixa, para o projeto de um caso: não alterar a tese central; não citar precedente que não esteja na pasta; separar problema de forma de problema de conteúdo; nunca sobrescrever versão anterior de minuta.

Alucinação (hallucination)

Bloco 1
Conceito
Geração de conteúdo falso ou sem sustentação suficiente nas fontes disponíveis, apresentado de forma plausível. Pode afetar fatos, referências e descrições de documentos. A presença de citações não elimina o risco.
No trabalho jurídico
A ferramenta pode atribuir a um tribunal fundamento que ele não adotou, fundir teses de julgados distintos ou produzir um número plausível sem processo correspondente. A aparência formal dificulta detectar a falha sem confrontar a resposta com as fontes.
Não confundir com
desatualização: uma informação antes correta pode ter perdido validade. Alucinação também pode envolver fontes reais usadas sem sustentação para a afirmação. Injeção de instrução é outro mecanismo de falha e pode induzir respostas incorretas; essas situações podem coexistir.
Erro comum
supor que a presença de uma referência encerra a conferência. Abra a fonte, localize o trecho e verifique se ele sustenta a afirmação, inclusive suas condições e ressalvas.
Exemplo
Pedido de precedentes sobre questão processual que retorna cinco julgados: três reais e bem sintetizados, um real com ementa trocada, um inexistente. O conjunto é convincente justamente porque a maior parte confere.

Fontes conceituais IBM — modelos de linguagem

Ancoragem em fonte (grounding)

Bloco 2
Conceito
Construção da resposta com apoio em fontes identificadas e disponibilizadas ao modelo, diretamente ou por recuperação de informação. O objetivo é vincular afirmações a material que possa ser consultado e confrontado com o resultado.
No trabalho jurídico
A fonte deve sustentar a afirmação no alcance atribuído a ela. Referência correta, trecho pertinente e interpretação fiel são verificações distintas. O acesso a documentos pode ajudar a reduzir erros, mas não garante leitura correta, atualidade da fonte ou incidência de um precedente.
Não confundir com
citação gerada. Uma resposta pode exibir referências sem ter sido construída sobre elas.
Exemplo
Análise elaborada sobre os acórdãos anexados ao projeto, em que cada afirmação remete a um trecho localizável, contra análise elaborada “de memória” sobre o mesmo tema.

Anonimização e pseudonimização (anonymization and pseudonymization)

Bloco 1
Conceito
Anonimização impede a associação do dado a um indivíduo por meios técnicos razoáveis disponíveis. A LGPD ressalva a reversão por meios próprios ou com esforços razoáveis (arts. 5º, XI, e 12). Na pseudonimização, a associação depende de informação adicional mantida separadamente em ambiente controlado e seguro (art. 13, § 4º, no âmbito ali previsto).
No trabalho jurídico
Substituir nomes não basta para anonimizar um documento. Datas, valores, número do processo e narrativa podem permitir reidentificação. Se permanece uma chave de associação ou outro meio de identificar a pessoa, não trate a troca de nomes como garantia de anonimato.
O que decidir
Examine os identificadores diretos e as combinações que ainda permitam reconhecer a pessoa. Se a retirada desses elementos impedir a tarefa, reavalie quais materiais podem ser utilizados e em qual ambiente autorizado.
Exemplo
Substituir “João da Silva” por “o autor” em uma inicial de acidente de trabalho e manter a data do sinistro, o CNPJ da empregadora e o número do processo. Nada foi anonimizado.

Fontes conceituais LGPD — arts. 5º, 12 e 13

API (Application Programming Interface)

Bloco 3
Conceito
Interface que permite a um programa acionar outro diretamente, sem passar por tela. É o caminho pelo qual sistemas trocam dados e funções entre si.
No trabalho jurídico
O acesso por API pode ter contratação, cobrança, retenção e condições de uso de dados próprias. A interface técnica não assegura proteção superior: confira os termos aplicáveis ao serviço, à conta e à operação antes de processar documentos.
Não confundir com
conector. O conector é a ligação já configurada, oferecida pelo produto; a API é o meio técnico que a torna possível, e cujo uso direto exige desenvolvimento.
Exemplo
Rotina que envia mil decisões para análise e recebe os resultados em formato estruturado, sem que ninguém abra a interface do produto.

Artefato (artifact)

Bloco 2
Conceito
Entrega exibida separadamente da conversa, em formato que pode ser lido, editado, comparado ou reutilizado. O nome Artifact é usado pelo Claude; outros produtos apresentam recursos semelhantes com nomes próprios.
No trabalho jurídico
Um quadro comparativo, roteiro ou primeira versão pode ficar mais examinável quando separado da conversa que o produziu. Isso facilita confrontar versões e identificar o que foi efetivamente alterado, mas não converte a entrega em documento pronto para uso profissional.
O que decidir
Defina se a entrega é apenas rascunho, versão para revisão interna ou material apto a circular. Antes de copiar ou compartilhar, confira fontes, fatos, destinatário e alterações que possam mudar o alcance jurídico do texto.
Exemplo
Quadro de divergências entre duas minutas, produzido como entrega separada e revisto pelo advogado antes de orientar uma nova redação.

Assistente de IA

Bloco 3
Conceito
Aplicação de IA que auxilia o usuário em tarefas. Pode combinar conversa, arquivos e ferramentas; o nome assistente não estabelece um grau uniforme de autonomia.
Exemplo
Em exercício fictício, o assistente compara duas versões de uma minuta e apresenta diferenças, sem substituir o original.

Fontes conceituais Anthropic — sistemas com ferramentas e memória

Autenticação em dois fatores (2FA, MFA)

Bloco 1
Conceito
Exigência de dois elementos independentes para acessar a conta: algo que você sabe (a senha) e algo que você tem (um aplicativo gerador de códigos, uma chave física) ou algo que você é (biometria).
No trabalho jurídico
Protege o acesso à conta que reúne minutas, documentos e serviços conectados. É uma medida de segurança adicional; não substitui o controle de compartilhamento e de permissões.
O que decidir
Prefira aplicativo gerador de códigos ou chave física ao envio por SMS, vulnerável à transferência fraudulenta de linha. Guarde os códigos de recuperação fora do próprio dispositivo.
Exemplo
Conta acessada de novo dispositivo com senha vazada em incidente alheio. Com o segundo fator ativo, o acesso não se completa.

Automação (automation)

Bloco 3
Conceito
Execução automática de uma tarefa, ou de parte dela, com pouca ou nenhuma intervenção humana a cada repetição.
No trabalho jurídico
Pode apoiar tarefas repetidas, como inventariar arquivos e montar quadros de dados. A seleção dos critérios e a avaliação da pertinência jurídica dos resultados continuam a exigir exame próprio.
Erro comum
estender a automação ao juízo. Nem toda tarefa jurídica é automatizável com segurança, e a fronteira não é técnica: automatiza-se a etapa operacional, não a decisão sobre o que a etapa produziu.
Exemplo
Extrair de um conjunto de decisões os campos número, órgão julgador, pedido apreciado, resultado e prazo. Decidir quais dessas decisões servem à tese não pertence ao mesmo fluxo.

Autonomia graduada (graduated autonomy)

Bloco 3
Conceito
Forma de distribuir a autonomia por etapas e ações: apenas propor; executar após aprovação; ou executar ações previamente delimitadas, com acompanhamento e registro. A graduação depende do risco e dos efeitos possíveis, não só da capacidade da ferramenta.
No trabalho jurídico
A escala é útil porque permite casar o grau de autonomia com a reversibilidade da ação e com o risco do material. Ler uma pasta e propor uma organização é um degrau; renomear os arquivos é outro; enviar uma peça é outro ainda. Conceder o degrau mais alto porque o mais baixo funcionou bem é o erro de progressão mais comum.
O que decidir
Comece pelo degrau em que o sistema propõe e você executa. Suba um degrau por vez, e só depois de o anterior ter corrido sem correção relevante por um número razoável de repetições.
Exemplo
Agente de triagem documental que, nas primeiras semanas, apenas sugere a classificação; depois passa a aplicá-la em pastas de trabalho; e nunca alcança a pasta de peças protocoladas.

B

Base de conhecimento (knowledge base)

Bloco 4
Conceito
Acervo organizado de documentos e informações usado como fonte de consulta por uma ferramenta.
No trabalho jurídico
Organize pareceres, orientações e decisões com versão, vigência e responsável pela revisão. Material superado pode influenciar a resposta se permanecer disponível sem identificação adequada.
O que decidir
Defina desde o início o critério de inclusão, quem revisa e com que periodicidade se retira o que deixou de valer.
Exemplo
Acervo de manifestações-padrão que continua devolvendo o modelo elaborado sob a redação anterior de um artigo, por não ter sido revisto depois da alteração legislativa.

Benchmark

Bloco 2
Conceito
Prova padronizada aplicada a modelos para comparar desempenho em determinado tipo de tarefa, com resultado expresso em pontuação.
No trabalho jurídico
A pontuação vale para o conjunto de tarefas, dados e critérios do teste. Ela não demonstra, por si só, desempenho em uma rotina jurídica brasileira. Combine os resultados publicados com testes sobre documentos fictícios ou públicos, com resposta de referência e critérios definidos.
Erro comum
escolher a ferramenta pela pontuação anunciada, em vez de pela tarefa que se pretende executar e pelo regime de dados que ela oferece.
Exemplo
Selecionar cinco decisões já lidas por você, pedir a síntese em campos fixos e comparar as ferramentas pelo que erraram — não pelo que pontuaram.

Busca híbrida (hybrid search)

Bloco 4
Conceito
Combinação de busca lexical e busca vetorial para reunir correspondências entre termos e proximidade de significado. Os resultados são combinados segundo o método do sistema; filtros e reordenação podem complementar a seleção.
No trabalho jurídico
Pode ajudar quando a pesquisa envolve tanto identificadores precisos quanto diferentes maneiras de descrever uma questão. Confira números, datas, órgão e alcance da decisão no original; o método de busca não determina sua relevância jurídica.
Exemplo
Pesquisa que combina uma expressão normativa com descrição conceitual da controvérsia, para localizar ocorrências do termo e passagens que tratem do problema com outras palavras.

Fontes conceituais Microsoft — busca híbrida ·MGI/SGD — Implementação de Sistemas de IA com RAG (seções 4 a 6)

Busca semântica (semantic search)

Bloco 4
Conceito
Busca que recupera conteúdo por proximidade de sentido, e não por coincidência de palavras.
No trabalho jurídico
Pode localizar discussões semelhantes redigidas com outras palavras. Proximidade de sentido, porém, não demonstra pertinência jurídica ou cobertura integral do acervo. Combine-a com filtros, busca literal e leitura das fontes, conforme o objetivo da pesquisa.
Não confundir com
busca lexical, que procura correspondências entre termos e pode incluir variações; a busca literal exige a expressão exata. Números de processo, nomes e referências normativas pedem conferência específica, além da proximidade de sentido.
Exemplo
Consulta sobre responsabilidade subsidiária da Administração que localiza material redigido sem essa expressão, mas tratando da mesma questão.

C

Chatbot

Bloco 3
Conceito
Sistema que interage por conversa, em texto ou voz. Pode usar regras predefinidas ou modelos de IA; o formato de conversa não informa, sozinho, quais ações o sistema pode executar.
Exemplo
Em exercício fictício, o chatbot explica os campos de um quadro de leitura; a conferência do quadro e das fontes permanece com o participante.

Fontes conceituais IBM — chatbots

Chave de API (API key)

Bloco 3
Conceito
Credencial que identifica quem está acionando um serviço por API e a que conta atribuir o uso e o custo. Funciona como senha, com a diferença de circular dentro de arquivos de configuração.
No trabalho jurídico
A exposição da chave pode permitir uso indevido do serviço e gerar custos. Não a inclua em minutas, conversas ou arquivos compartilhados; confira o alcance da credencial e as condições de revogação.
O que decidir
Uma chave por finalidade, guardada fora dos arquivos do projeto, substituída quando alguém deixa a equipe ou quando houver suspeita de exposição.
Exemplo
Chave incluída em arquivo de configuração enviado por e-mail ao suporte de um fornecedor, e nunca substituída depois.

Checklist

Bloco 3
Conceito
Lista de verificações a cumprir antes de concluir uma tarefa, com itens formulados como ação e na ordem de execução.
No trabalho jurídico
Em uma revisão de minuta, use itens verificáveis, como conferir nomes, datas, anexos e correspondência entre fundamentos e pedidos. A lista ajuda a evitar omissões, mas não substitui o exame do conteúdo.
Erro comum
checklist longo demais para ser cumprido, que passa a ser assinado sem leitura. Doze itens cumpridos valem mais que quarenta ignorados.
Exemplo
Conferência pré-protocolo: competência, tempestividade, correspondência entre fundamentos e pedido, valor da causa, nomes e qualificações, datas, anexos, assinatura.

Citação gerada (generated citation)

Bloco 2
Conceito
Referência produzida pela ferramenta junto com a resposta. Pode corresponder a um documento efetivamente recuperado, a um documento real descrito de modo inexato, ou a nenhum documento.
No trabalho jurídico
Três falhas podem apresentar a mesma aparência: fonte inexistente; fonte existente com dados trocados; fonte existente e corretamente identificada que não sustenta a afirmação. Conferir metadados não resolve a terceira hipótese: é necessário ler a fonte e examinar sua pertinência.
O que decidir
Nenhuma citação entra em peça sem abertura do inteiro teor. Conferir número e órgão julgador verifica a existência, não a pertinência.
Exemplo
Acórdão real, número correto, órgão correto, ementa correta — e tese firmada em contexto processual diverso do caso em análise. A citação passa em toda conferência que não seja a leitura.

Commit e branch

Bloco 4
Conceito
Duas operações do controle de versões. O commit registra um estado do projeto, com data, autor e descrição da mudança. A branch cria uma linha de trabalho paralela, em que se altera sem afetar a versão principal até que se decida incorporar.
Exemplo
Testar em linha separada uma nova regra de classificação de documentos e só incorporá-la ao fluxo principal depois de conferido o resultado sobre uma amostra.

Comparação de versões (version comparison)

Bloco 4
Conceito
Confronto entre duas versões de um documento para identificar o que foi acrescentado, suprimido ou alterado.
No trabalho jurídico
A comparação localiza diferenças; a leitura jurídica avalia seus efeitos. Dê atenção a alterações em verbos, condições e ressalvas que possam modificar obrigações ou o alcance do pedido.
O que decidir
Peça a separação entre alterações de forma e de conteúdo, mas confira essa classificação. Uma mudança apresentada como estilística pode alterar condição, ressalva ou alcance de obrigação.
Exemplo
Em uma minuta fictícia, a revisão substitui “deverá” por “poderá”. A comparação identifica a palavra alterada; a leitura da cláusula e do instrumento completo determina se a mudança transforma uma obrigação em faculdade.

Conector (connector)

Bloco 3
Conceito
Ligação configurada entre a ferramenta de IA e um serviço externo — e-mail, agenda, nuvem de arquivos, sistema interno — que permite a leitura e, conforme a permissão, a alteração de conteúdo naquele serviço.
No trabalho jurídico
Confira quais pastas, mensagens ou serviços ficam acessíveis e se a conexão permite alterações. Uma autorização para localizar um documento não deve ser presumida como acesso irrestrito ao acervo.
O que decidir
Revise as concessões periodicamente e revogue o que não estiver em uso. Conector de leitura sobre caixa de entrada é também a principal porta de entrada para injeção de instrução.
Exemplo
Autorização concedida para localizar um contrato específico na nuvem do escritório, que permanece ativa meses depois, alcançando pastas de casos que nada tinham a ver com aquele pedido.

Confiabilidade (reliability)

Bloco 1
Conceito
Grau de confiança que se pode atribuir a uma resposta considerada a natureza da tarefa, o tipo de informação envolvida e a possibilidade de verificá-la. É atributo da relação entre resposta e uso pretendido, não qualidade intrínseca do texto.
No trabalho jurídico
A mesma resposta pode ser confiável para uma finalidade e imprestável para outra. Reorganizar a ordem dos parágrafos de uma minuta e afirmar o entendimento atual de um tribunal exigem graus de conferência incomparáveis, ainda que saiam da mesma conversa e com a mesma fluência.
Não confundir com
precisão. Uma resposta pode ser precisa quanto ao documento que leu e pouco confiável para o uso que se pretende dar a ela.
Exemplo
Uma síntese de decisão anexada pode ser conferida contra o original; sua confiabilidade depende do resultado dessa conferência. Uma afirmação sobre a orientação atual dos tribunais exige pesquisa em fontes pertinentes e atualizadas.

Consistência de resposta (response consistency)

Bloco 2
Conceito
Grau de estabilidade com que a ferramenta responde à mesma tarefa ou a tarefas semelhantes, mantendo critério, estrutura e profundidade.
No trabalho jurídico
Importa sobretudo em série. Ao analisar cinquenta decisões, o valor do trabalho depende de que a quinquagésima tenha sido tratada com o mesmo critério da primeira — do contrário, a comparação entre elas mede a oscilação da ferramenta, não a diferença entre os julgados.
Não confundir com
acerto. Ferramenta consistentemente errada é consistente.
Exemplo
Fixar a mesma ordem de análise e os mesmos campos para toda a série, e conferir por amostragem se os últimos itens mantêm o padrão dos primeiros.

Consulta estruturada (structured query)

Bloco 4
Conceito
Consulta formulada por campos e critérios definidos — órgão, período, classe, resultado — em vez de pergunta em linguagem livre.
No trabalho jurídico
Filtros por tribunal, órgão, classe e período ajudam a registrar o recorte da pesquisa. A possibilidade de repetir a consulta não comprova cobertura integral ou pertinência dos resultados.
Não confundir com
busca semântica. Uma delimita o conjunto examinado; a outra ordena por semelhança dentro de um conjunto que não se conhece.
Exemplo
Levantamento por órgão julgador, período e classe processual, cujo recorte pode ser registrado e repetido meses depois com o mesmo critério.

Conta pessoal e conta institucional (personal account and business account)

Bloco 1
Conceito
Regimes distintos de contratação do mesmo produto. A conta pessoal é regida pelos termos de uso de consumo; a institucional — corporativa, empresarial, de equipe — costuma vir acompanhada de instrumento contratual próprio, com cláusulas sobre tratamento de dados, confidencialidade, retenção e uso para treinamento.
No trabalho jurídico
Confira qual regime contratual autoriza o uso de documentos profissionais e quem administra a conta. Acesso institucional também exige atenção às permissões sobre materiais de clientes ou de trabalhos distintos.
O que decidir
Identifique em qual das três camadas você está autorizado a decidir: regime da conta e contrato; configurações do produto; escolha feita em cada conversa. Nessa ordem.
Exemplo
Advogado que usa a assinatura pessoal para revisar peças do escritório opera fora do instrumento contratual firmado pela banca — e fora das garantias que ele oferece.

Contexto

Bloco 2
Conceito
Conjunto de informações que acompanha o pedido e situa a tarefa: tipo de documento, finalidade do trabalho, fase processual, destinatário da resposta, histórico da conversa e material anexado.
No trabalho jurídico
O destino da resposta orienta a seleção: síntese para estudo, nota interna, base para recurso ou quadro de providências exigem recortes diferentes. Identifique também a fase processual, a versão dos documentos e as informações que não podem ser presumidas.
Não confundir com
janela de contexto, que limita o conteúdo considerado em uma chamada. Nem tudo o que foi anexado, armazenado no histórico ou guardado na memória necessariamente integra o contexto efetivamente usado.
Exemplo
“Resuma esta interlocutória para uso interno, indicando pedido apreciado, fundamento determinante, prazo decorrente e pontos passíveis de impugnação” produz outra coisa que “resuma esta decisão”.

Controlador e operador (controller and processor)

Bloco 1
Conceito
Controlador decide sobre o tratamento de dados pessoais; operador realiza o tratamento em seu nome (LGPD, art. 5º, VI e VII). A qualificação depende da atuação efetiva em cada operação.
No trabalho jurídico
Examine quem define a finalidade e as decisões essenciais, quem segue instruções e se o fornecedor utiliza os dados para finalidades próprias. O contrato é relevante, mas a designação nele adotada não substitui a análise da atuação efetiva, conforme orienta a ANPD.
Não confundir com
encarregado, que atua como canal de comunicação entre os agentes indicados na lei, titulares e ANPD (art. 5º, VIII). Sua função não o torna automaticamente controlador ou operador.
Exemplo
Cláusula contratual que obrigue o fornecedor a não usar o material para treinamento organiza a relação entre as partes; não desloca para ele a decisão de enviar, que continua sendo do advogado.

Fontes conceituais LGPD — art. 5º, VI a VIII ·ANPD — agentes de tratamento, itens 17 e 55

Controle de versões (version control)

Bloco 4
Conceito
Método pelo qual as versões sucessivas de um documento são preservadas, identificadas e recuperáveis.
No trabalho jurídico
Preserve a versão anterior à revisão assistida. Ela permite conferir mudanças de sentido, supressão de ressalvas e alterações em fatos, fundamentos ou pedidos.
O que decidir
Salve a versão anterior antes de qualquer reescrita assistida, e nunca deixe uma ferramenta sobrescrever o arquivo de trabalho.
Exemplo
Sequência preservada de uma contestação: minuta inicial, versão revisada internamente, versão ajustada com apoio de IA, versão final protocolada.

Conversa temporária (temporary chat)

Bloco 1
Conceito
Modo de conversa com regras próprias para histórico e eventual persistência de informações. Prazo de retenção, uso para treinamento e interação com a memória dependem do produto e das condições aplicáveis à conta.
No trabalho jurídico
Não trate a ausência no histórico como garantia de sigilo ou de eliminação imediata. Antes de enviar material, confira processamento, acesso humano, retenção e uso posterior. O nome temporária não torna qualquer documento adequado ao serviço.
Não confundir com
navegação anônima, que limita determinados registros locais do navegador. Ela não impede que um serviço receba e processe o conteúdo enviado.
Exemplo
Em exercício fictício, a cláusula analisada não aparece no histórico de conversas; o participante ainda precisa conferir as regras de conservação e processamento do serviço.

Corte de conhecimento (knowledge cutoff)

Bloco 2
Conceito
Referência temporal informada para o conhecimento incorporado ao modelo. Não assegura domínio de tudo o que ocorreu antes dela. Para informações posteriores ou sujeitas a mudança, forneça documentos atuais ou utilize pesquisa e confira as fontes.
No trabalho jurídico
Uma resposta pode reproduzir norma ou entendimento superado. Quando a tarefa depender de vigência ou jurisprudência atual, confira a situação na fonte oficial.
Não confundir com
alucinação. Aqui a informação existiu e era correta; deixou de ser.
Exemplo
Resposta que descreve resolução revogada como vigente, porque a revogação é posterior ao corte. O texto está certo quanto ao passado e errado quanto ao presente.

Criptografia em trânsito e em repouso (encryption in transit and at rest)

Bloco 1
Conceito
Proteção criptográfica da comunicação, em trânsito, ou dos dados armazenados, em repouso. Sua eficácia depende da implementação e da proteção das chaves; não impede, por si só, o acesso autorizado do fornecedor ao conteúdo.
No trabalho jurídico
Criptografia em trânsito e em repouso não demonstra, por si só, quem pode acessar o conteúdo durante o processamento. Confira o desenho do serviço, a gestão das chaves e as regras de acesso; não presuma que a cifragem impeça leitura pelo fornecedor.
Não confundir com
criptografia de ponta a ponta, cuja proteção depende de quem são os pontos finais e quem controla as chaves. A proteção anunciada deve ser examinada junto com o modo de processamento da IA.
Exemplo
Página de segurança que anuncia cifragem em trânsito e em repouso e, na política de privacidade, prevê revisão humana de conversas sinalizadas. As duas informações são verdadeiras e não se contradizem.

Fontes conceituais Cloudflare — criptografia

Custo por uso (usage-based pricing)

Bloco 2
Conceito
Modelo de cobrança em que se paga pelo volume de tokens processados, em vez de mensalidade fixa. Convive com planos de assinatura, que trocam a cobrança variável por limites de uso — número de mensagens, de arquivos ou de execuções em determinado período.
No trabalho jurídico
Em análises em série, teste uma amostra e estime o consumo antes de processar o acervo. Extensão dos documentos, volume da resposta e recursos acionados podem alterar o custo.
O que decidir
Antes de rodar em série, estime pelo custo de uma unidade multiplicado pelo acervo. Preços e limites mudam com frequência: confira na página oficial do produto e anote a data.
Exemplo
Testar o fluxo em dez documentos, medir o consumo e projetar para o acervo inteiro antes de autorizar a execução completa.

D

Dado pessoal (personal data)

Bloco 1
Conceito
Informação relacionada a pessoa natural identificada ou identificável (Lei 13.709/2018, art. 5º, I). O critério não é a presença do nome: basta que a informação, isolada ou combinada com outras, permita chegar à pessoa.
No trabalho jurídico
Os autos podem conter dados de partes, testemunhas e terceiros. Identifique quais informações permitem reconhecer uma pessoa antes de utilizar o material em uma ferramenta.
Não confundir com
dado sigiloso. As categorias se sobrepõem sem coincidir: há dado pessoal sem sigilo e há informação sob sigilo profissional que não é dado pessoal, como a estratégia de um cliente pessoa jurídica.
Exemplo
Número de processo, sozinho, costuma bastar para chegar às partes em sistema de consulta pública. Remover o nome e manter o número não anonimiza coisa alguma.

Dado pessoal sensível (sensitive personal data)

Bloco 1
Conceito
Categoria definida na Lei 13.709/2018, art. 5º, II: dado sobre origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico ou político, dado referente à saúde ou à vida sexual, dado genético ou biométrico, quando vinculado a pessoa natural. O tratamento segue regime mais restrito, previsto no art. 11.
No trabalho jurídico
Documentos sobre saúde, biometria ou outras categorias previstas na definição exigem avaliação específica. O ramo do Direito ou o caráter reservado dos autos, por si só, não determina que todo dado seja sensível.
O que decidir
Para material sensível, decida antes: anonimizar, processar localmente, ou não delegar. A escolha por conveniência é a única que não se sustenta depois.
Exemplo
Laudo pericial com diagnóstico e histórico clínico enviado para “resumir os pontos principais”. O resumo é útil; o envio integral do laudo a produto de conta pessoal é o problema.

E

Encadeamento de prompts (prompt chaining)

Bloco 2
Conceito
Divisão de uma tarefa complexa em uma sequência de pedidos menores, em que a saída de cada etapa alimenta a seguinte.
No trabalho jurídico
Separar leitura, pesquisa e redação pode facilitar a conferência de cada etapa. Preserve os documentos de referência para que um erro no resumo não seja incorporado à minuta seguinte.
Não confundir com
refinamento iterativo. No encadeamento, cada etapa tem produto próprio e alimenta a próxima; no refinamento, insiste-se sobre o mesmo produto.
Exemplo
Em vez de “faça a apelação”: síntese dos autos; identificação dos fundamentos da sentença; seleção dos pontos recorríveis; e só então a minuta, com os três produtos anteriores em mãos.

Engenharia de contexto (context engineering)

Bloco 2
Conceito
Organização das informações que o modelo recebe em cada etapa: instruções, documentos, histórico e resultados de ferramentas. Procura selecionar material pertinente dentro de um espaço limitado.
No trabalho jurídico
Escolha versões vigentes, identifique a fonte controladora e separe material pertinente de documentos que não pertencem à tarefa. Acrescentar arquivos indiscriminadamente pode dificultar a leitura e a conferência.
Não confundir com
treinamento. Preparar o contexto não equivale a modificar os parâmetros do modelo.
Exemplo
Em exercício fictício de comparação, fornecer duas versões identificadas de uma minuta e os critérios de revisão, preservando os originais.

Fontes conceituais Anthropic — engenharia de contexto

Estrutura de pastas (folder structure)

Bloco 4
Conceito
Distribuição dos arquivos em diretórios segundo uma lógica definida e mantida.
No trabalho jurídico
Delimite quais pastas a ferramenta pode ler. Material de outro trabalho ou versão descartada pode entrar na análise se estiver no mesmo conjunto autorizado.
O que decidir
Separe, dentro de cada caso, o que pode ser lido por ferramenta do que não deve. Notas internas e material de terceiros pedem pasta própria.
Exemplo
Pasta de processo dividida em peças, decisões, provas, notas internas e minutas — com a leitura automatizada apontada apenas para as três primeiras.

Exclusão (deletion)

Bloco 1
Conceito
Remoção do material dos sistemas do fornecedor a pedido do usuário. Apagar a conversa na tela e apagá-la no servidor são eventos distintos, com prazos distintos.
No trabalho jurídico
O que costuma escapar são as cópias derivadas: conversa compartilhada por link, trecho incorporado à memória, arquivo anexado que permanece na área de arquivos do produto, resposta copiada para outro ambiente. Excluir a conversa de origem não alcança necessariamente nenhuma delas.
O que decidir
Ao encerrar um trabalho com material sensível, verifique separadamente: histórico, arquivos anexados, memória, links compartilhados e projetos ou espaços de trabalho onde o conteúdo tenha sido reaproveitado.
Exemplo
Minuta apagada do histórico que continua acessível pelo link de compartilhamento gerado três semanas antes.

Execução (run)

Bloco 3
Conceito
Cada rodada concreta de um fluxo ou agente, com seu material de entrada, seus passos e seu resultado. O mesmo fluxo produz execuções distintas a cada aplicação.
Exemplo
Cinquenta decisões analisadas pelo mesmo fluxo geram cinquenta execuções. Ao encontrar erro na décima sétima, é possível verificar se as instruções mudaram no meio da série.

Extração de informações (information extraction)

Bloco 4
Conceito
Identificação e retirada, de um documento ou de um conjunto deles, de dados ou trechos determinados.
No trabalho jurídico
Separe dados transcritos, como número e data, das interpretações, como fundamento determinante e alcance da decisão. O preenchimento de um campo não torna a análise uma informação objetiva.
O que decidir
Separe, no mesmo quadro, as colunas de dado objetivo das de leitura interpretativa. A conferência das duas não tem o mesmo custo nem o mesmo método.
Exemplo
Quadro com número, órgão, data e resultado — conferível por amostragem — ao lado da coluna “fundamento determinante”, que exige leitura do inteiro teor caso a caso.

F

Ferramenta (tool)

Bloco 3
Conceito
Recurso externo que o modelo pode acionar para fazer o que ele próprio não faz: ler um arquivo, buscar na internet, executar um cálculo, consultar uma base, gravar um documento.
Exemplo
Localizar, em quarenta documentos, todas as passagens em que aparece determinada cláusula exige uma ferramenta de busca em arquivos; sem ela, o modelo responde por aproximação sobre o que couber na janela de contexto.

Fidelidade à fonte

Bloco 4
Conceito
Preservação do conteúdo, do sentido e dos limites do material utilizado. Exige que a afirmação produzida tenha apoio na passagem indicada, sem omitir condições relevantes nem atribuir à fonte conclusão que ela não apresenta.
No trabalho jurídico
Distinga transcrição, paráfrase e análise. Ao sintetizar uma decisão, preserve a relação entre fatos, fundamento determinante, resultado e ressalvas. Na transcrição, confronte literalmente o original; na paráfrase, confira sentido e alcance.
Não confundir com
correção factual ou atualidade. Uma síntese pode reproduzir fielmente um documento equivocado ou superado. Fidelidade e verificação da própria fonte precisam ser examinadas separadamente.
Exemplo
Em documento fictício, “a medida pode ser adotada quando houver autorização” vira “a medida deve ser adotada”. A síntese altera o verbo e suprime a condição; a referência ao documento não corrige a distorção.

Fontes conceituais MGI/SGD — Implementação de Sistemas de IA com RAG (seções 4 a 6)

Fonte controladora

Bloco 2
Conceito
Neste site, documento ou registro que deve orientar a conferência de determinada afirmação. Para um fato, pode ser o documento original; para uma regra, a fonte normativa pertinente; para uma revisão, a versão indicada como referência.
No trabalho jurídico
Identifique qual fonte sustenta cada informação e como localizar o trecho. O resumo gerado não assume o lugar do original, e uma única fonte não necessariamente controla todas as questões de uma tarefa.
Não confundir com
ancoragem em fonte. A ancoragem descreve o uso de documentos na geração da resposta; a fonte controladora identifica a referência contra a qual a afirmação será conferida. É uma convenção editorial de método, não uma categoria legal autônoma.
Exemplo
Em exercício fictício de revisão, a versão aprovada da minuta controla a conferência das alterações de redação; os documentos de apoio controlam a conferência dos fatos narrados.

Formato de arquivo (file format)

Bloco 4
Conceito
Padrão em que o conteúdo é armazenado — PDF, DOCX, TXT, CSV, JSON, JPG. O formato determina o que a máquina consegue fazer com o arquivo, e não apenas com qual programa ele abre.
No trabalho jurídico
Um PDF pode conter texto, imagens ou ambos. Antes de analisar uma decisão digitalizada, confira se o conteúdo foi extraído corretamente e se tabelas, notas e páginas relevantes foram preservadas.
O que decidir
Tente selecionar e buscar uma palavra e confira a extração. Se isso não funcionar, pode haver uma página apenas em imagem, uma restrição do arquivo ou uma limitação do leitor. Identifique a causa e valide o texto antes da análise.
Exemplo
Minuta em DOCX permite comparação de versões trecho a trecho; a mesma minuta convertida em PDF escaneado não permite sequer localizar uma palavra.

Fragmentação (chunking)

Bloco 4
Conceito
Divisão do conteúdo em trechos menores para indexação e recuperação. Tamanho, sobreposição e respeito às divisões do documento influenciam o contexto que acompanha cada passagem; não há um corte ideal para todo acervo.
No trabalho jurídico
Ao recuperar uma passagem, leia também a regra, a exceção ou a referência anterior necessária ao sentido. Um trecho literalmente correto pode sustentar uma interpretação errada quando isolado.
Erro comum
concluir que toda citação fora de contexto decorre do corte. Examine o fragmento recuperado e sua posição no original: a perda de sentido também pode ocorrer na seleção dos trechos ou na geração da síntese.
Exemplo
Fragmento que reproduz “não se aplica a hipótese do inciso II” sem o período anterior, que restringia a afirmação aos contratos celebrados antes de determinada data.

G

Guardrails

Bloco 1
Conceito
Salvaguardas para limitar comportamentos ou ações do sistema. Podem combinar instruções, validações de entrada e saída, restrições de acesso e pontos de aprovação; sua eficácia depende da implementação.
No trabalho jurídico
Servem bem para o que é rotineiro: não reformular fundamentos, não acrescentar precedente não fornecido, separar problema de forma de problema de conteúdo. Fixam um padrão de trabalho e poupam repetição.
Erro comum
confundir uma instrução em linguagem natural com um bloqueio técnico. A orientação pode ser descumprida; uma restrição efetivamente aplicada pelo ambiente limita a operação autorizada. Ambas precisam ser testadas, e nenhuma dispensa supervisão.
Exemplo
Uma orientação para citar apenas jurisprudência fornecida pode ser combinada com verificação das referências e bloqueio de envio antes da validação humana. A orientação, isoladamente, não assegura cumprimento.

H

Handoff

Bloco 3
Conceito
Passagem de uma tarefa de uma etapa, função ou agente para outro, com transferência do produto da etapa anterior.
No trabalho jurídico
Ao passar da pesquisa para a redação, transfira também fontes, versões, lacunas e limites da análise. Uma conclusão provisória não deve chegar à etapa seguinte como fato confirmado.
Não confundir com
delegação. O handoff é passagem entre etapas de um fluxo desenhado; a delegação é a decisão, humana, de entregar a tarefa à máquina.
Exemplo
Um agente resume a decisão; o seguinte transforma o resumo em quadro de providências. Se o resumo trocou o fundamento determinante, o quadro sai coerente e errado.

Hash

Bloco 4
Conceito
Valor calculado a partir de dados por uma função de resumo. Funções criptográficas adequadas são projetadas para tornar inviável encontrar conteúdos diferentes com o mesmo valor, embora colisões sejam matematicamente possíveis.
No trabalho jurídico
O confronto de hashes pode apoiar a verificação de integridade, desde que se registre o algoritmo e se preserve o valor de referência. Não comprova autoria, origem ou veracidade do conteúdo; esses aspectos exigem outras evidências.
Não confundir com
criptografia. O hash não protege nem oculta o conteúdo; e não se reverte, porque não guarda o que resumiu.
Exemplo
Registrar o valor de hash de um conjunto de arquivos no momento da coleta, para depois demonstrar que os arquivos examinados são os mesmos.

Fontes conceituais NIST — funções hash criptográficas

Histórico de interação (conversation history)

Bloco 2
Conceito
Registro de mensagens de uma conversa. Para responder, a aplicação pode selecionar, resumir ou omitir partes desse registro; o histórico visível não corresponde necessariamente ao contexto efetivamente recebido pelo modelo.
No trabalho jurídico
O histórico é o que permite trabalhar por etapas, mas ele ocupa a janela de contexto e não distingue o que ainda vale do que foi superado. Conversa longa, em que a tarefa mudou várias vezes, degrada: a ferramenta mistura instruções antigas com novas e perde o foco do que se pede agora.
O que decidir
Separe por conversa o que é tarefa distinta. Revisão, comparação de versões, estratégia recursal e extração de teses no mesmo fio indefinidamente rendem menos do que quatro conversas.
Exemplo
Ao mudar de peça dentro do mesmo processo, abrir nova conversa e reenviar apenas o que a nova etapa exige.

Fontes conceituais Anthropic — engenharia de contexto

I

IA generativa (generative AI)

Bloco 1
Conceito
Sistemas de inteligência artificial que geram conteúdo, como texto, imagens, áudio ou código, a partir de padrões aprendidos e das entradas recebidas. Produzir uma resposta não equivale a recuperar fielmente um documento.
No trabalho jurídico
Use o resultado como material a conferir. Separe geração, pesquisa e transcrição: cada uma exige uma forma própria de verificar o conteúdo e sua relação com a fonte.
Exemplo
Em exercício fictício, a ferramenta redige uma síntese de decisão fornecida; o participante confere fundamento, resultado e ressalvas no documento original.

Fontes conceituais IBM — IA generativa

Indexação (indexing)

Bloco 4
Conceito
Organização prévia do conteúdo de um acervo para que ele possa ser localizado depois sem leitura integral a cada consulta.
No trabalho jurídico
Uma pesquisa sem resultados não comprova ausência no acervo. Confira quais documentos e versões foram incluídos, eventuais falhas de extração e os filtros aplicados. A inclusão no índice tampouco assegura que o trecho decisivo aparecerá entre os resultados.
O que decidir
Ao montar uma base de trabalho, mantenha a lista do que foi incluído. Sem ela, a ausência de resultado é ambígua.
Exemplo
Consulta que não devolve nenhuma decisão contrária à tese, em base que só recebeu as decisões favoráveis previamente selecionadas.

Ingestão de documentos (document ingestion)

Bloco 4
Conceito
Etapa em que os documentos entram no sistema e são preparados para uso: leitura, conversão, reconhecimento de texto, fragmentação e indexação.
No trabalho jurídico
Depois de carregar um acervo de decisões ou peças, confira quais arquivos e páginas foram processados. Falha na preparação pode deixar material fora da pesquisa.
O que decidir
Depois de carregar um acervo, verifique quantos documentos foram efetivamente processados, e não apenas quantos foram enviados.
Exemplo
Busca em base documental que não retorna a decisão procurada — não porque a busca falhou, mas porque aquele PDF, apenas imagem, nunca chegou a ser lido.

Injeção de instrução (prompt injection)

Bloco 1
Conceito
Manipulação da entrada para desviar o comportamento do sistema. Pode ser direta, no próprio pedido, ou indireta, em conteúdo externo como documentos, páginas e e-mails. A instrução pode estar visível ou apenas ser legível pela ferramenta.
No trabalho jurídico
O tema interessa sobretudo quando a ferramenta lê material de origem externa e, além de resumir ou pesquisar, alcança arquivos, e-mail ou serviços conectados. Um documento adverso não é automaticamente malicioso; ainda assim, não deve receber a mesma confiança que uma instrução expressa do usuário.
Não confundir com
alucinação. Na alucinação, a resposta erra por gerar informação sem base suficiente; na injeção, o material tenta desviar a tarefa por uma instrução nele inserida. A primeira exige conferência; a segunda também recomenda limitar permissões e efeitos externos.
O que decidir
Em tarefas comuns de leitura, deixe claro que o documento é fonte de conteúdo, não de comandos. Quando houver agente, pasta, caixa de entrada ou capacidade de escrever e enviar, separe as permissões: ler, alterar, encaminhar e apagar são autorizações diferentes.
Exemplo
Anexo de origem externa contém uma frase escondida pedindo que o sistema ignore o escopo do usuário. A saída pode ficar incompleta ou deslocada. A reação adequada é revisar o resultado e, em fluxos com ação externa, impedir que o material determine qualquer ação.

Fontes conceituais OWASP — injeção direta e indireta

Instrução de sistema (system instruction)

Bloco 2
Conceito
Orientação estrutural que define o modo geral de atuação da ferramenta, situada acima dos pedidos pontuais do usuário. Em produtos de consumo, parte dela é definida pelo fornecedor e não é visível nem editável.
Não confundir com
instrução permanente do usuário, que se soma à do sistema e cede diante dela.
Exemplo
Ambiente configurado para atuar sempre como revisor técnico de minutas, sem criar fatos, sem citar jurisprudência não fornecida e sem alterar a linha argumentativa central.

Instrução permanente (persistent instruction)

Bloco 2
Conceito
Orientação registrada uma vez para valer em todas as conversas, ou em todas as conversas de um projeto, sem repetição a cada pedido.
No trabalho jurídico
Muitas cautelas se repetem: manter linguagem formal, não alterar a tese, separar problema de forma de problema de conteúdo, não acrescentar referência não fornecida, apontar incerteza em vez de resolvê-la por conta própria. Fixadas, o trabalho fica mais estável e a conversa mais curta.
Erro comum
tratá-las como blindagem. Instrução permanente reduz a frequência do desvio; não o impede. Continua sendo necessário conferir o que saiu.
Exemplo
Fixar que, em toda revisão de minuta, a ferramenta aponte ambiguidades e repetições e não reformule o mérito sem pedido expresso.

Inteligência artificial (artificial intelligence, AI)

Bloco 1
Conceito
Campo de métodos e sistemas computacionais capazes de realizar tarefas como reconhecer padrões, classificar informações, gerar conteúdo e apoiar decisões. Abrange tecnologias diferentes; suas capacidades e limitações dependem do sistema e da tarefa.
No trabalho jurídico
Identifique a função concreta: localizar um documento, classificar uma demanda ou produzir uma minuta envolvem operações e verificações distintas. O rótulo IA não demonstra exatidão, autonomia ou adequação jurídica.
Exemplo
Em exercício fictício, um sistema classifica documentos por assunto e outro produz uma síntese. A avaliação deve considerar separadamente os erros de cada tarefa.

Fontes conceituais IBM — inteligência artificial

J

Jailbreak

Bloco 2
Conceito
Tentativa deliberada de contornar as restrições de comportamento de um sistema por meio de instruções construídas para esse fim.
No trabalho jurídico
Interessa à avaliação dos limites de segurança de uma ferramenta. A existência de salvaguardas não dispensa conferir como o sistema reage a tentativas de contorno.
Não confundir com
toda injeção de instrução. Jailbreak busca contornar salvaguardas; a injeção tem alcance mais amplo e pode desviar a tarefa por entrada direta ou conteúdo externo. Na terminologia da OWASP, jailbreak é uma forma de injeção.
Exemplo
Discussão sobre responsabilidade do fornecedor por conteúdo obtido mediante contorno deliberado das salvaguardas do produto pelo próprio usuário.

Fontes conceituais OWASP — injeção e jailbreak

Janela de contexto (context window)

Bloco 2
Conceito
Limite de tokens que o modelo pode considerar em uma chamada. O espaço é compartilhado por instruções, histórico selecionado, material recuperado e geração, conforme o modelo. Anexar um arquivo não assegura sua inclusão integral.
No trabalho jurídico
O comportamento diante de material extenso varia: a aplicação pode recusar o excedente, selecionar trechos ou resumir o histórico. Mesmo dentro do limite, uma informação pode não ser aproveitada corretamente. Trabalhe com recortes definidos e confira quais partes sustentaram a resposta.
Não confundir com
memória persistente. A janela limita o conteúdo de uma chamada; histórico e memória podem fornecer informações a chamadas posteriores, conforme a aplicação.
Exemplo
Revisão de peça longa dividida por objetivo — clareza, repetições, coerência entre fundamentos e pedido — em vez de “revise integralmente” em uma única mensagem com o processo inteiro anexado.

Fontes conceituais Anthropic — engenharia de contexto ·Anthropic — gestão da janela de contexto

JSON (JavaScript Object Notation)

Bloco 4
Conceito
Formato textual de intercâmbio de dados. Admite objetos com pares de nome e valor, listas e valores como texto, número, verdadeiro, falso e nulo. Sua sintaxe permite processamento por programas, mas não comprova correção do conteúdo.
Não confundir com
schema, que é a definição de quais campos devem existir. JSON é o formato; o schema é o contrato.
Exemplo
Análise de cem decisões devolvida com os campos processo, órgão, pedido, resultado e prazo, importada diretamente para planilha.

Fontes conceituais RFC 8259 — formato JSON

L

Log

Bloco 3
Conceito
Registro sequencial de eventos de um sistema: o que foi executado, quando, sobre qual material, com qual resultado ou falha.
No trabalho jurídico
O registro pode ajudar a conferir quais arquivos foram lidos e quais falharam. Verifique sua abrangência e proteja seu conteúdo: registros também podem conter dados pessoais, trechos sigilosos ou credenciais.
Não confundir com
rastreabilidade, que é a propriedade. O log é um dos meios de obtê-la.
Exemplo
Registro que mostra que três dos quarenta arquivos falharam na leitura por má digitalização — e que, portanto, não entraram na análise que se acreditava completa.

M

MCP (Model Context Protocol)

Bloco 3
Conceito
Protocolo aberto que padroniza como uma ferramenta de IA se conecta a fontes externas de dados e a sistemas — arquivos, bases, aplicativos. Em vez de uma integração feita sob medida para cada par de sistemas, um padrão comum.
O que decidir
Trate cada conexão como concessão de permissão, e não como recurso de conveniência: o que ela lê, o que ela pode alterar, e se continua necessária depois de encerrado o trabalho que a motivou.
Exemplo
Em exercício fictício, uma conexão permite consultar uma pasta de documentos. O protocolo padroniza a comunicação; o acesso efetivo depende do servidor, da autenticação e das permissões concedidas.

Fontes conceituais MCP — arquitetura e comunicação

Memória

Bloco 2
Conceito
Recurso pelo qual a ferramenta conserva informações entre conversas — preferências de estilo, dados que você forneceu, padrões de trabalho — e as reaplica sem que você as repita.
No trabalho jurídico
Conveniente no trabalho recorrente e inconveniente quando um dado do caso A reaparece enquanto você trabalha no caso B. O risco não é apenas de sigilo: a ferramenta passa a responder com pressupostos que você não formulou naquela conversa, e a resposta parece consistente porque é coerente com premissas invisíveis.
O que decidir
Revise periodicamente o que a memória guardou; desative-a para trabalho sob sigilo estrito; e não confie nela para cautelas críticas — repita a orientação expressamente nos casos delicados.
Não confundir com
treinamento. A memória guarda informação para as suas conversas; o treinamento incorpora material ao modelo que atende a todos.
Exemplo
Preferência por revisão formal sem alteração de tese, conservada entre conversas — útil. Nome e situação de um cliente conservados do mesmo modo — a rever.

Metadados (metadata)

Bloco 4
Conceito
Dados que descrevem um arquivo ou recurso, como autoria, datas, formato e origem. Comentários e alterações rastreadas também podem permanecer no documento, mas não são necessariamente metadados: podem conter texto e informação substantiva.
No trabalho jurídico
Antes de compartilhar, examine tanto as propriedades do arquivo quanto comentários, revisões e conteúdo oculto. Uma minuta pode expor autoria ou observações internas mesmo quando o texto visível parece pronto para circulação.
O que decidir
Antes de enviar documento para fora do escritório, verifique o que ele carrega além do texto. Converter para PDF reduz o problema, não o elimina.
Exemplo
Proposta enviada em DOCX com o controle de alterações aceito, mas com os comentários internos preservados no arquivo.

Fontes conceituais Microsoft — propriedades, revisões e conteúdo oculto

Minimização de dados (data minimization)

Bloco 1
Conceito
Limitação dos dados utilizados ao necessário para uma finalidade definida. Na LGPD, relaciona-se ao princípio da necessidade, previsto no art. 6º, III: dados pertinentes, proporcionais e não excessivos.
No trabalho jurídico
Selecione os documentos e trechos necessários à tarefa antes de compartilhar. Reduzir o volume ajuda a limitar a exposição, mas não substitui a avaliação da finalidade, da base legal e do ambiente de processamento.
Não confundir com
anonimização. Minimizar reduz os dados utilizados; anonimizar procura impedir a associação a uma pessoa. Um conjunto menor pode continuar plenamente identificável.
Exemplo
Em exercício fictício de revisão de uma cláusula, fornecer apenas o trecho pertinente e os elementos necessários à compreensão, em vez do contrato e de todos os anexos.

Fontes conceituais LGPD — art. 6º, III

Modalidades de prompt

Bloco 2
Conceito
Formas de organizar um pedido conforme a natureza da tarefa. Não são fórmulas mágicas nem uma taxonomia fechada: servem para deixar claro o que a ferramenta deve fazer e como o resultado será aproveitado.
No trabalho jurídico
Quatro modalidades cobrem boa parte da rotina: prompt de análise, para separar fatos, documentos e lacunas; prompt de pesquisa, para localizar fontes e indicar o que precisa ser conferido; prompt de redação, para produzir uma primeira versão com limites; e prompt de revisão, para examinar um texto já controlado sem reabrir seu mérito.
O que decidir
Escolha a modalidade pelo resultado esperado, não pelo nome da ferramenta. Uma tarefa pode começar com análise, passar por pesquisa e terminar em redação; separar esses momentos evita que uma única resposta esconda etapas que exigem conferência diferente.
Exemplo
Para análise: “organize os fatos narrados, os documentos mencionados e as lacunas; não conclua sobre a tese”. Para revisão: “aponte repetição, ambiguidade e incoerência, sem alterar a tese nem acrescentar fontes”.

Modelo de linguagem (large language model, LLM)

Bloco 1
Conceito
Modelo computacional que aprende padrões da linguagem durante o treinamento. Nos modelos generativos, a resposta é produzida por geração de tokens a partir do contexto recebido; sua correção exige verificação.
No trabalho jurídico
Pode apoiar síntese, classificação, redação e análise. A fluência da resposta não demonstra fidelidade aos autos nem existência ou pertinência de um precedente. Busca, leitura de arquivos e execução de ações dependem dos recursos integrados à ferramenta.
Não confundir com
buscador, que recupera documentos. O modelo gera ou interpreta conteúdo; quando uma aplicação combina busca e geração, os resultados recuperados podem alimentar a resposta. A presença de links não comprova que uma fonte tenha sido aberta e conferida.
Exemplo
Perguntado sobre prazo recursal em hipótese incomum, o modelo tende a produzir a resposta que mais se parece com as respostas que leu. Se a hipótese for regida por regra especial pouco frequente nos textos de treinamento, a resposta mais provável não é a correta.

Fontes conceituais IBM — modelos de linguagem

Modo de raciocínio (reasoning, thinking)

Bloco 2
Conceito
Configuração em que o sistema produz uma cadeia intermediária de passos antes de apresentar a resposta, gastando mais processamento e mais tempo em troca de melhor desempenho em tarefas de várias etapas.
No trabalho jurídico
Ajuda em cotejo entre documentos, contagem de prazo com múltiplas variáveis e análise que dependa de encadear condições. Não elimina a alucinação, e o texto do raciocínio exibido não é auditoria: é mais texto gerado, sujeito aos mesmos limites da resposta que o segue.
Erro comum
ler os passos intermediários como demonstração de que a conclusão está correta. Cadeia coerente e conclusão certa são coisas distintas.
Exemplo
Comparar duas versões de contrato e apurar o efeito de cada alteração sobre a cláusula de rescisão rende mais com esse modo; conferir a redação de um parágrafo, não.

Modo pesquisa (web search, browsing, deep research)

Bloco 2
Conceito
Recurso em que a ferramenta consulta a internet durante a elaboração da resposta e a compõe a partir das páginas recuperadas, em vez de responder apenas com o que aprendeu no treinamento.
No trabalho jurídico
Para normas, precedentes e informações atuais, confira a fonte recuperada e o trecho que sustenta a resposta. Uma notícia ou ementa pode ajudar a localizar o julgamento, sem substituir a leitura necessária ao uso pretendido.
Erro comum
aceitar a presença de links como conferência feita. O link mostra de onde veio o texto; não mostra se a fonte sustenta a afirmação, nem se o precedente segue válido.
Exemplo
Resposta sobre tese firmada em repetitivo construída sobre notícia do próprio tribunal. A notícia é fonte oficial de que houve julgamento; não é a tese, que está no acórdão.

Multimodal

Bloco 2
Conceito
Capacidade de tratar mais de um tipo de conteúdo — texto, imagem, áudio, vídeo — no mesmo fluxo.
No trabalho jurídico
Alcança boa parte do material forense: decisão fotografada, croqui de acidente, gráfico de laudo, áudio de audiência. A leitura de imagem por modelo multimodal é diferente de OCR — o modelo interpreta o que vê, e interpretação admite erro de leitura silencioso, sem o sinal de baixa qualidade que uma digitalização ruim costuma dar.
O que decidir
Para documento que servirá de base a peça, prefira o texto extraído e conferido à leitura direta da imagem. Para compreensão preliminar, a leitura direta basta.
Exemplo
Transcrever a ata de audiência a partir do áudio acelera o trabalho; usar a transcrição como citação literal em peça exige conferência contra a gravação.

N

Nomenclatura de arquivos (file naming)

Bloco 4
Conceito
Padrão de nomeação que permite identificar, ordenar e localizar um arquivo pelo nome, sem abri-lo.
No trabalho jurídico
Um padrão útil costuma reunir quatro elementos: referência do caso, tipo de documento, versão e data em formato que ordene sozinho — ano, mês, dia. O ganho maior não é estético: nome informativo é o que permite conferir o resultado de uma organização automatizada sem abrir cada arquivo.
Erro comum
usar a data no formato brasileiro no nome do arquivo. A ordenação alfabética passa a agrupar por dia, e a sequência cronológica se perde.
Exemplo
2026-04-16_ProcessoX_Contestacao_v03 em lugar de “contestação nova final agora vai”.

Nuvem e execução local (cloud and local execution)

Bloco 1
Conceito
Distinção entre processamento em servidores externos e processamento no próprio computador ou em servidor sob seu controle. Um arquivo pode estar salvo localmente e, ainda assim, ter seu conteúdo enviado a um modelo em nuvem pela aplicação que o utiliza.
No trabalho jurídico
Para avaliar a circulação do material, verifique onde o arquivo fica, onde o modelo o processa e quais serviços recebem seu conteúdo. A execução local do modelo não demonstra, por si só, que todo o fluxo esteja isolado: conexões, acesso à rede e sincronização também precisam ser examinados.
O que decidir
Nem toda tarefa exige o mesmo regime. Pesquisa conceitual sem dado de cliente e revisão de peça com identificação das partes não precisam correr no mesmo ambiente.
Exemplo
Usar ferramenta em nuvem para estudar a estrutura de um recurso e reservar o processamento local — ou a anonimização prévia — para o texto que contém nomes, valores e fatos do caso.

O

OCR (Optical Character Recognition)

Bloco 4
Conceito
Reconhecimento óptico de caracteres: conversão da imagem de um texto em texto processável.
No trabalho jurídico
Erros de reconhecimento podem alterar números de processo, datas, valores e nomes. Confira os dados que serão utilizados contra a imagem original.
O que decidir
Em material digitalizado, confira contra a imagem original todo dado numérico que for usado em peça. A conferência por amostragem do texto corrido é aceitável; a de números, não.
Exemplo
Valor de condenação lido como R$ 18.000,00 onde a imagem traz R$ 78.000,00. Nada no texto resultante sinaliza a troca.

P

Padronização de arquivos (file standardization)

Bloco 4
Conceito
Aplicação de critérios uniformes de nomeação, formato, localização e classificação a todo um acervo.
No trabalho jurídico
Um padrão facilita filtros, localização e conferência, mas não é requisito de toda automação. Uma rotina baseada em nomes ou pastas pode deixar de processar arquivos que fogem ao critério. Compare a lista recebida com a lista efetivamente processada.
O que decidir
Antes de automatizar, verifique quantos arquivos do acervo já seguem o padrão. Abaixo de certo grau de regularidade, padronizar primeiro é o passo mais econômico.
Exemplo
Rotina de triagem que processa cento e vinte dos cento e quarenta documentos e apresenta o resultado como se fosse do conjunto.

Parsing

Bloco 4
Conceito
Leitura da estrutura de um arquivo para identificar suas partes — cabeçalho, seções, tabelas, campos — em vez de tratá-lo como bloco indiferenciado de texto.
No trabalho jurídico
Separar relatório, fundamentação e dispositivo ajuda a evitar que um pedido apenas narrado seja apresentado como acolhido. Confira se a extração preservou essas funções e a estrutura do documento.
Não confundir com
OCR. O reconhecimento óptico produz o texto; o parsing organiza o texto produzido. Documento escaneado precisa dos dois.
Exemplo
Extração que identifica separadamente ementa, relatório, voto e dispositivo, permitindo pedir a análise apenas sobre a parte que decide.

Permissão de ação (action permission)

Bloco 3
Conceito
Autorização técnica concedida ao sistema para operar sobre um recurso determinado. Ler, criar, alterar, apagar e enviar são permissões distintas, e cada uma pode ser concedida ou negada separadamente.
No trabalho jurídico
Uma permissão aplicada pelo ambiente limita o que o sistema pode fazer, independentemente do pedido em linguagem natural. Confira o alcance real: acesso de leitura, acesso à rede e escrita são controles distintos. Restrinja cada recurso ao necessário e teste se a restrição funciona.
O que decidir
Conceda o mínimo necessário à tarefa e revise depois. Permissão concedida em caráter excepcional tende a permanecer concedida, porque ninguém volta para revogá-la.
Exemplo
Em exercício fictício, o agente lê uma pasta sem permissão para alterar seus arquivos. Ainda é necessário conferir se pode enviar conteúdo pela rede; impedir escrita não elimina, por si só, o risco de exposição.

Ponto de aprovação (checkpoint, human-in-the-loop)

Bloco 3
Conceito
Etapa do fluxo em que a execução para e aguarda decisão humana antes de prosseguir.
No trabalho jurídico
Coloque a aprovação antes de atos com efeitos relevantes, como envio de mensagem, publicação ou protocolo. Ela também pode ser necessária antes de alterações reversíveis em documentos importantes. A conferência deve mostrar a ação proposta, seu alcance e o resultado que será utilizado.
Erro comum
aprovar automaticamente por excesso de interrupções ou por falta de informação. Escolha os pontos conforme o risco e apresente um resultado concreto para conferência; o número de aprovações, isoladamente, não demonstra controle.
Exemplo
Fluxo de organização documental que executa a leitura e a proposta de classificação sozinho, para antes de mover qualquer arquivo, e só retoma depois da conferência da lista.

Precisão da resposta (response accuracy)

Bloco 1
Conceito
Exatidão das informações e das relações que a resposta apresenta. Na avaliação, convém distinguir correção factual, fidelidade à fonte e atendimento à instrução: uma resposta pode cumprir o formato pedido e ainda errar o conteúdo.
No trabalho jurídico
Na síntese de uma decisão, confira pedido apreciado, fundamento determinante, resultado e ressalvas. Uma passagem pode estar no julgado e, ainda assim, ter função diferente da que o resumo lhe atribuiu.
Não confundir com
elegância. Texto bem construído e texto exato são propriedades independentes, e a primeira dificulta a percepção da ausência da segunda.
Exemplo
Resumo que descreve como razão de decidir aquilo que o acórdão tratou como observação lateral. A frase está no julgado; a função que o resumo lhe atribui, não.

Princípio do menor privilégio (least privilege)

Bloco 3
Conceito
Princípio de segurança pelo qual usuários e sistemas recebem apenas os recursos e autorizações necessários à função atribuída. Aplica-se ao alcance do acesso, às operações permitidas e à duração da autorização.
No trabalho jurídico
Defina se a ferramenta precisa ler, criar, alterar ou enviar e restrinja o acesso ao material pertinente. Acesso de leitura pode permitir exposição de conteúdo; confira também rede, compartilhamento e serviços conectados.
Não confundir com
ponto de aprovação. O menor privilégio delimita capacidades; o ponto de aprovação exige uma decisão antes de executar determinada ação. Os controles podem ser combinados.
Exemplo
Em exercício fictício de inventário, permitir leitura apenas da pasta de amostra, sem escrita nos originais e sem acesso a e-mail ou outras pastas.

Fontes conceituais NIST — least privilege

Projeto (workspace, custom GPT, gem)

Bloco 2
Conceito
Espaço de trabalho que reúne, sob um mesmo escopo, instruções, arquivos de referência e conversas relacionadas. O nome e os recursos variam entre produtos, mas a ideia é preservar o contexto de uma atividade contínua.
No trabalho jurídico
Pode organizar uma pesquisa, uma matéria recorrente ou um caso delimitado, desde que o critério de reunião seja claro. A vantagem é não recomeçar do zero a cada conversa; a cautela é saber que o contexto pode permanecer disponível e influenciar respostas futuras.
O que decidir
Defina o que entra, quem pode acessar e quando o material precisa ser atualizado ou retirado. Separar casos ou interesses incompatíveis é prudente quando isso evita que fatos, modelos ou premissas de um trabalho apareçam no outro.
Não confundir com
histórico de interação. O histórico pertence a uma conversa; o projeto reúne, de modo mais duradouro, materiais e conversas que têm uma finalidade comum.
Exemplo
Projeto de recurso extraordinário com acórdão recorrido, peças anteriores e a instrução de indicar a fonte de cada afirmação relevante, sem tratar o conteúdo gerado como fundamento final.

Prompt

Bloco 2
Conceito
Texto de entrada pelo qual se orienta a ferramenta. Pode ser pergunta, comando, instrução de revisão, pedido de comparação ou combinação de tarefas.
No trabalho jurídico
Ao pedir uma síntese ou revisão, indique a tarefa, os documentos, o destinatário e o que deve permanecer. Em uma minuta, explicite os limites sobre fatos, tese, pedidos e transcrições.
Erro comum
supor que prompt bom é prompt longo. Texto longo e disperso rende menos que texto curto e delimitado; o que pesa é a clareza do recorte, não o volume da instrução.
Exemplo
Em vez de “melhore este texto”: “revise esta contestação; preserve a tese e a ordem dos capítulos; elimine repetições; aponte passagens ambíguas sem reescrevê-las; não acrescente jurisprudência”.

Prompt de análise

Bloco 2
Conceito
Pedido destinado a organizar e examinar material sem assumir, desde o início, uma conclusão. Em geral, pede separação de fatos, documentos, questões, lacunas ou alternativas.
No trabalho jurídico
É especialmente útil na primeira leitura de um caso ou de um documento extenso. A saída desejada não é uma tese pronta, mas um mapa que torne visível o que se sabe, o que falta e o que ainda precisa ser conferido.
Exemplo
“Com base apenas no relato abaixo, organize: fatos narrados, documentos mencionados, datas, pontos controvertidos e perguntas que ainda dependem de resposta. Não proponha tese nem acrescente fatos.”

Prompt de pesquisa

Bloco 2
Conceito
Pedido voltado a localizar fontes ou a extrair informação de uma base previamente definida. Ele deve indicar onde procurar, o que buscar e como apresentar os achados.
No trabalho jurídico
A função do pedido é orientar a busca, não substituir a conferência. Quando a conclusão depender de norma, precedente ou dado atual, peça o link ou a identificação da fonte e volte ao original antes de aproveitar o resultado.
Exemplo
“Localize, em fontes oficiais, decisões do STJ sobre este tema. Para cada resultado, informe órgão julgador, data, link e trecho pertinente; marque como ‘a conferir’ qualquer item sem inteiro teor acessível.”

Prompt de redação

Bloco 2
Conceito
Pedido voltado à produção de uma primeira versão de texto, quadro, síntese ou outro material. Deve indicar formato, destinatário, fontes ou materiais de partida e limites de alteração.
No trabalho jurídico
Uma boa redação assistida começa por definir o que deve permanecer. Fatos dos autos, transcrições literais, tese, extensão do pedido e referências fornecidas não devem ser tratados como simples matéria estilística.
Exemplo
“Prepare uma nota interna de até 600 palavras com base nos documentos indicados. Separe fatos, fontes e pontos pendentes. Preserve as transcrições entre aspas e não crie precedentes ou dados não fornecidos.”

Prompt de revisão

Bloco 2
Conceito
Pedido para examinar um texto já existente conforme critérios definidos, como clareza, repetição, coerência ou preservação de conteúdo. Pode produzir sugestões, comentários ou uma nova versão, conforme o limite indicado.
No trabalho jurídico
A revisão é mais confiável quando o pedido separa forma e mérito. Dizer o que deve permanecer — fatos, tese, transcrições, pedidos e referências fornecidas — evita que uma melhoria de linguagem se transforme em alteração silenciosa do conteúdo.
Exemplo
“Revise apenas a clareza e a coesão desta minuta. Preserve fatos, tese, estrutura dos pedidos e citações. Liste alterações que possam afetar o sentido antes de propor qualquer reescrita.”

Proveniência (provenance)

Bloco 4
Conceito
Informação sobre a origem de um dado ou documento e sobre as atividades e responsáveis envolvidos em sua produção e transformação. Ajuda a avaliar de onde veio o material e como chegou à forma atual.
No trabalho jurídico
Registre fonte, versão, data de obtenção e transformações relevantes, como OCR, extração ou revisão. Identificar a origem ajuda a conferir o percurso, mas não comprova a veracidade do conteúdo.
Não confundir com
rastreabilidade. A proveniência descreve origem e formação; a rastreabilidade permite reconstruir o percurso. Registros de proveniência podem contribuir para a rastreabilidade.
Exemplo
Em exercício fictício, um trecho vem de PDF obtido em fonte oficial, convertido por OCR e conferido contra a página original; o registro preserva essas etapas e a versão consultada.

Fontes conceituais W3C — PROV, origem e transformação de dados

R

RAG (Retrieval-Augmented Generation)

Bloco 4
Conceito
Arranjo que combina recuperação de informação em uma base com geração de resposta apoiada no material recuperado. Em geral, os documentos são previamente preparados e indexados; na consulta, trechos selecionados são incorporados ao contexto do modelo.
No trabalho jurídico
A qualidade depende da recuperação e do uso dos trechos encontrados. Um documento não recuperado pode deixar de influenciar a resposta, e essa lacuna pode não ser informada. Confira o acervo consultado, as passagens utilizadas e a fidelidade da síntese.
Erro comum
tratar base própria como garantia contra alucinação. A recuperação pode omitir um documento ou selecionar trecho insuficiente; a geração pode distorcer o que recebeu. Avalie essas etapas separadamente.
Exemplo
Consulta a acervo de pareceres internos que devolve resposta segura fundada nos três documentos recuperados, sem mencionar o quarto — que registrava a ressalva decisiva e não foi alcançado pela busca.

Fontes conceituais Google Cloud — recuperação e geração

Rastreabilidade (traceability)

Bloco 3
Conceito
Possibilidade de reconstruir o percurso de elaboração de um texto ou fluxo: o que foi alterado, quando, por quem ou por qual sistema, e a partir de qual versão.
No trabalho jurídico
Ajuda a identificar qual documento e versão sustentaram uma minuta, quais alterações foram feitas e quem as conferiu. Preserve esse percurso junto dos materiais de referência.
O que decidir
Distinga, no registro, o que mudou de forma e o que mudou de conteúdo. É a distinção que qualquer conferência posterior vai procurar primeiro.
Exemplo
Petição revisada internamente e depois ajustada com apoio de IA, em que se consegue identificar cada intervenção e separar reescrita formal de alteração substancial.

Recuperação de informação (information retrieval)

Bloco 4
Conceito
Seleção de documentos ou trechos de uma base em resposta a uma consulta. Pode usar correspondência de termos, proximidade semântica, filtros e reordenação. No RAG, fornece material para a etapa posterior de geração.
No trabalho jurídico
Confira se os resultados incluem a passagem decisiva e a versão pertinente. Encontrar decisões sobre o mesmo assunto não demonstra que seus fundamentos incidam no caso nem que a pesquisa tenha coberto todo o acervo.
Não confundir com
indexação, que prepara a base para consulta, nem com geração, que produz a resposta. A qualidade de uma dessas etapas não comprova a qualidade das demais.
Exemplo
Em um exercício fictício, a busca recupera o trecho favorável de um parecer, mas deixa de recuperar a ressalva posterior. O documento foi localizado; a seleção ainda é insuficiente para a conclusão.

Fontes conceituais MGI/SGD — Implementação de Sistemas de IA com RAG (seções 4 a 6)

Refinamento iterativo (iterative refinement)

Bloco 2
Conceito
Melhoria progressiva do resultado por meio de ajustes sucessivos, em vez de tentativa única.
Erro comum
iterar sobre um resultado que já partiu de premissa equivocada. Quando o problema está no recorte da tarefa, refazer o pedido é mais econômico que corrigir a resposta.
Exemplo
Primeiro a síntese; depois a eliminação de repetições; em seguida o rigor terminológico; por fim a reorganização dos parágrafos frágeis — cada etapa com instrução própria.

Reordenação (reranking)

Bloco 4
Conceito
Segunda etapa da busca, em que os resultados recuperados são reavaliados e reordenados por pertinência antes de chegarem ao modelo ou ao usuário.
No trabalho jurídico
Um resultado juridicamente relevante pode ficar fora dos trechos utilizados na resposta. Em pesquisa que exija maior cobertura, examine também os documentos recuperados e os critérios de seleção.
Exemplo
Acórdão mais próximo do caso classificado abaixo do corte por usar vocabulário distinto do da consulta. A resposta o ignora sem informar que ele foi encontrado.

Repositório (repository)

Bloco 4
Conceito
Local organizado em que os arquivos de um projeto são armazenados junto com seu histórico de alterações.
No trabalho jurídico
A cautela é de sigilo, e é concreta: repositório configurado como público expõe tudo o que contém, inclusive o histórico. Arquivo sensível removido continua acessível nas versões anteriores, porque preservar o passado é justamente a função do sistema — apagar hoje não apaga o registro de ontem.
O que decidir
Verifique o regime de acesso antes de colocar qualquer coisa dentro, e trate credenciais e material de cliente como conteúdo que não entra em repositório.
Exemplo
Chave de API removida de um arquivo mas ainda legível na versão anterior registrada no histórico.

Retenção (data retention)

Bloco 1
Conceito
Prazo durante o qual o fornecedor conserva o material enviado — conversas, arquivos, registros de uso — em seus próprios sistemas.
No trabalho jurídico
O prazo divulgado ao usuário é o prazo ordinário, não uma garantia de destruição. Obrigação legal ou regulatória dirigida ao fornecedor pode impor conservação além dele, lógica que a própria Lei 13.709/2018 reconhece ao ressalvar, no art. 16, o cumprimento de obrigação legal ou regulatória entre as hipóteses de conservação após o término do tratamento. Ordem judicial dirigida ao fornecedor produz o mesmo efeito.
O que decidir
Antes de enviar material sob sigilo, saiba qual é o prazo, onde ele está declarado e se o seu plano o altera. Registre a data em que conferiu: é informação que muda sem aviso.
Não confundir com
exclusão. Retenção é quanto tempo o material fica; exclusão é o que acontece quando você pede que ele saia — e os dois prazos raramente coincidem.
Exemplo
Consulta pontual sobre documento sensível, feita em conversa comum, permanece armazenada pelo prazo do produto ainda que você apague a conversa da tela no minuto seguinte.

Revisão humana (human review)

Bloco 1
Conceito
Hipótese em que pessoas empregadas ou contratadas pelo fornecedor leem trechos de conversas — em regra para avaliar qualidade, apurar denúncia de uso abusivo ou treinar sistemas de moderação.
No trabalho jurídico
Confira quem pode ler o material enviado e em quais hipóteses. Essa informação importa especialmente para minutas, estratégias e documentos sujeitos a sigilo.
Não confundir com
validação humana, que é a sua conferência do resultado. Aqui, o humano que revisa é do fornecedor, e revisa o seu material.
Exemplo
Conversa que aciona um filtro automático de conteúdo pode ser encaminhada a revisor humano para apuração, mesmo que o usuário tenha desativado o uso para treinamento.

S

Saída estruturada (structured output)

Bloco 2
Conceito
Resposta organizada em formato previamente definido, com campos ou seções fixas, em vez de texto livre.
No trabalho jurídico
Campos definidos ajudam a comparar resultados e registrar lacunas. Um campo vazio ou preenchido com não consta precisa ser conferido: pode representar ausência no documento, falha de extração ou omissão. Estrutura válida e conteúdo fiel são verificações distintas.
O que decidir
Defina os campos antes de rodar a primeira análise. Campos definidos depois obrigam a refazer tudo para manter a comparabilidade.
Exemplo
Análise de decisão sempre nos campos pedido apreciado, fundamento determinante, resultado, prazo e ponto de atenção — com “não consta” quando for o caso.

Sandbox

Bloco 3
Conceito
Ambiente de execução com restrições de acesso a arquivos, rede e outros recursos. O isolamento depende das regras e permissões efetivamente configuradas; não implica ausência absoluta de acesso externo.
No trabalho jurídico
Ajuda a limitar os efeitos de um teste, conforme os recursos isolados e as permissões concedidas. Antes da execução, confira se há acesso à rede ou escrita em pastas compartilhadas. Isolamento de execução e proteção de sigilo exigem verificações distintas.
O que decidir
Teste todo fluxo novo sobre cópias, em ambiente isolado, antes de apontá-lo para a pasta de trabalho. Se o material do teste for sensível, o isolamento não dispensa a avaliação do fornecedor.
Exemplo
Rodar a nova lógica de renomeação sobre uma cópia de vinte arquivos e conferir o resultado antes de aplicá-la ao acervo.

Fontes conceituais NIST — sandbox

Schema

Bloco 4
Conceito
Definição prévia dos campos que uma saída deve conter, com nome, tipo e obrigatoriedade de cada um.
No trabalho jurídico
Um schema ajuda a padronizar campos e permite validar a estrutura da saída. Campo obrigatório exige presença, não veracidade: pode conter informação errada. Defina também como registrar ausência na fonte e confira os valores contra o documento.
Não confundir com
template, que organiza o texto para leitura humana. O schema organiza dados para processamento.
Exemplo
Definir que toda análise traga processo, órgão julgador, pedido, fundamento, resultado e prazo, com “não consta” obrigatório quando o documento não trouxer o campo.

Fontes conceituais JSON Schema — propriedades obrigatórias

Skills

Bloco 3
Conceito
Módulos de instrução especializados que um agente carrega quando a tarefa os exige, reunindo método, formato e cautelas de determinado tipo de trabalho.
No trabalho jurídico
Permitem organizar instruções, modelos e recursos de um procedimento recorrente, como síntese de decisões ou revisão de minutas. Reutilizar a mesma orientação favorece consistência, mas não assegura execução idêntica nem dispensa conferência.
Não confundir com
instrução permanente, que vale para tudo. A skill entra em cena apenas quando aquele tipo de tarefa aparece.
Exemplo
Skill de conferência pré-protocolo: competência, tempestividade, correspondência entre fundamentos e pedido, nomes, datas e anexos — sempre na mesma ordem.

Fontes conceituais Agent Skills — instruções e recursos reutilizáveis

Supervisão humana (human oversight)

Bloco 1
Conceito
Acompanhamento humano ao longo de todo o processo, e não apenas na conferência do texto final. Envolve decidir o que se delega, em que etapa a ferramenta entra, que tipo de resposta se admite e quando o fluxo deve ser interrompido.
No trabalho jurídico
Defina quais etapas podem ser executadas, quais exigem aprovação e como interromper o fluxo. A conferência do plano, dos resultados intermediários e das ações deve acompanhar a autonomia concedida.
Não confundir com
validação humana, que é a conferência do produto. A supervisão é contínua e alcança o desenho do fluxo; a validação é pontual e alcança o resultado.
Exemplo
Ao usar IA para comparar versões de uma petição, delimitar desde o início que a ferramenta apenas destaque alterações e não proponha modificação de fundamentos — em vez de corrigir o excesso depois de recebido.

T

Tarefa (task)

Bloco 3
Conceito
Unidade delimitada de trabalho, com objetivo único, material definido e resultado reconhecível.
O que decidir
Um teste simples: se você não consegue dizer como saberá que a tarefa foi bem executada, ela ainda não está recortada.
Exemplo
Separar “identificar repetições”, “apontar passagens ambíguas” e “verificar coerência entre fundamentos e pedido” em três pedidos, cada um com produto conferível.

Template

Bloco 3
Conceito
Modelo pré-estruturado que serve de base à repetição organizada de um documento ou de uma análise.
No trabalho jurídico
Bem usado em quadros de análise, roteiros de revisão e sínteses de decisão, onde a uniformidade é o que permite comparar. O cuidado é conhecido de qualquer banca: modelo aplicado sem releitura carrega para o caso novo o que pertencia ao antigo — e o parágrafo herdado costuma ser exatamente o que o adversário nota.
Não confundir com
schema. O template organiza o texto para leitura humana; o schema define campos para processamento.
Exemplo
Modelo de síntese de decisão com órgão julgador, pedido, fundamento determinante, resultado, prazo e observações, aplicado a toda a série.

Token

Bloco 2
Conceito
Unidade usada pelo modelo para representar e processar conteúdo. Em texto, pode corresponder a uma palavra, parte de palavra, pontuação ou outros sinais, conforme o tokenizador. A contagem de tokens difere da contagem de palavras.
Não confundir com
caractere nem palavra. A conversão não é proporcional: nomes próprios, números de processo e termos técnicos costumam ser fragmentados em vários tokens, enquanto palavras comuns cabem em um.
Exemplo
Enviar quinze decisões e pedir, na mesma mensagem, resumo, comparação, extração de teses e minuta é gastar em uma operação o espaço que quatro operações separadas aproveitariam melhor.

Fontes conceituais IBM — tokenização e inferência ·Hugging Face — tokenização

Tratamento (data processing)

Bloco 1
Conceito
Toda operação realizada com dados pessoais — coleta, uso, acesso, reprodução, transmissão, armazenamento, eliminação, entre as demais hipóteses do art. 5º, X, da Lei 13.709/2018. É conceito deliberadamente amplo.
No trabalho jurídico
Quando o documento contém dados pessoais, sua leitura, uso, classificação ou envio por uma ferramenta são operações de tratamento. Identifique quais dados estão envolvidos, para qual finalidade serão utilizados e quem terá acesso; a informalidade do uso não dispensa esse exame.
Não confundir com
compartilhamento. O compartilhamento é uma das operações de tratamento, não sinônimo do conjunto.
Exemplo
Em exercício fictício, uma ferramenta lê dados pessoais de um documento apenas no computador: já há tratamento pelo acesso, mesmo sem envio à nuvem. Transmissão e armazenamento são operações distintas, quando efetivamente ocorrerem.

Fontes conceituais LGPD — art. 5º, X

Treinamento e inferência (training and inference)

Bloco 1
Conceito
Treinamento ajusta os parâmetros do modelo com dados. Inferência utiliza esses parâmetros para produzir uma resposta; por si só, não os altera. Registro da conversa e eventual uso posterior para treinamento são questões distintas.
No trabalho jurídico
Enviar material para uma resposta e autorizar seu uso em treinamento são operações diferentes. Excluir o arquivo ou a conversa não equivale a desfazer um treinamento já realizado. Confira separadamente as condições de processamento, conservação e uso posterior do conteúdo.
Não confundir com
memória, que pode conservar informações para uso em conversas futuras. Esse armazenamento não modifica, por si só, os parâmetros do modelo.
Exemplo
Em exercício fictício, uma minuta é usada para gerar uma síntese. Antes do envio, o participante verifica se o serviço permite usar esse material também no treinamento e quais condições regem sua exclusão.

Fontes conceituais IBM — inferência

U

Uso do conteúdo para treinamento (content use for training)

Bloco 1
Conceito
Configuração ou cláusula contratual que define se o material enviado pelo usuário pode integrar o acervo de treinamento de modelos futuros do fornecedor.
No trabalho jurídico
Antes de enviar minutas ou documentos profissionais, confira se o serviço pode utilizá-los em treinamento. A escolha deve ser compatível com o sigilo do material e com as regras do órgão ou escritório.
O que decidir
Verifique em qual camada a decisão está: alguns planos excluem o uso para treinamento por padrão contratual, outros deixam a escolha ao usuário, outros não a oferecem. Onde o contrato e a tela divergirem, o contrato descreve a obrigação e a tela descreve apenas o comportamento atual do produto.
Não confundir com
retenção nem com revisão humana. São três controles independentes. Desativar o treinamento não apaga o conteúdo, não encurta o prazo de armazenamento e não impede a leitura por revisor humano nas hipóteses previstas na política do fornecedor.
Exemplo
Escritório que desativou o treinamento e concluiu, por isso, que as conversas seriam apagadas ao fim do dia. Não seriam: o prazo de retenção continuava a correr, regido por outra configuração.

V

Validação humana (human validation)

Bloco 1
Conceito
Conferência do resultado por pessoa responsável antes do uso efetivo. Alcança correção do conteúdo, aderência ao caso, precisão terminológica, fidelidade ao documento e utilidade estratégica.
No trabalho jurídico
Antes de aproveitar o resultado, confira fatos, fontes, alcance jurídico e alterações de sentido. A revisão exige confronto com os documentos, não apenas uma leitura da redação final.
Não confundir com
revisão humana pelo fornecedor, que designa o acesso de pessoal do serviço ao conteúdo nas hipóteses previstas em suas políticas. A validação aqui tratada é a conferência profissional do resultado antes de utilizá-lo.
Erro comum
tratar validação como leitura de conferência final. Validar é abrir a fonte citada, confrontar o resumo com o documento e verificar se a alteração de redação preservou o sentido jurídico.
Exemplo
Sugestão de clareza que, ao eliminar uma subordinada considerada redundante, suprime a ressalva que delimitava o pedido.

Variabilidade (temperature)

Bloco 2
Conceito
Variação entre respostas a pedidos semelhantes. A temperatura é um dos parâmetros de amostragem: altera a distribuição de probabilidades na geração. Reduzi-la não assegura resposta correta nem reprodução idêntica.
Erro comum
concluir que a ferramenta “mudou de opinião”. Ela não tinha opinião: duas respostas divergentes podem sair da mesma configuração e do mesmo material.
Exemplo
Pedir três vezes a mesma classificação de um documento e obter três resultados. A divergência é informação útil: sinaliza que o critério não estava suficientemente delimitado.

Fontes conceituais IBM — modelos de linguagem

Vazamento de contexto (context leakage)

Bloco 1
Conceito
Aparecimento, em uma resposta, de informação proveniente de outro trabalho, outro caso ou outra fonte que o usuário não pretendia trazer para aquela conversa. Nasce em regra da memória, dos conectores, de projetos com base documental compartilhada ou do próprio histórico longo.
No trabalho jurídico
Informação de outro trabalho pode comprometer o sigilo ou introduzir uma premissa estranha à tarefa. Confira de onde veio o dado retomado e se ele pertence aos documentos autorizados.
O que decidir
Separe por conversa o que é separado por dever: casos distintos, partes com interesses contrapostos, material de clientes diferentes. Revise periodicamente o que a memória guardou.
Exemplo
Minuta de contestação que incorpora, sem pedido, a tese de defesa desenvolvida semanas antes para outro cliente da mesma banca.

Vetor de significado (embedding)

Bloco 4
Conceito
Representação numérica de um trecho de texto, construída de modo que textos de sentido próximo fiquem próximos nesse espaço numérico. É o que torna possível buscar por sentido em vez de por palavra.
No trabalho jurídico
Explica o acerto e a falha da busca semântica. O acerto: encontrar material sobre a mesma matéria redigido com outras palavras. A falha: proximidade de sentido não é identidade de regime jurídico — dois institutos podem ser vizinhos no espaço numérico e opostos em consequência. A ferramenta aproxima textos parecidos; a distinção é sua.
Não confundir com
índice de palavras, que localiza ocorrências exatas. Os dois se complementam: um encontra o que você não sabia nomear, o outro encontra exatamente o que você nomeou.
Exemplo
Busca por prescrição que aproxima material sobre decadência. A proximidade é real no texto e irrelevante no regime.

Viés em IA (AI bias)

Bloco 1
Conceito
Tendência sistemática que pode produzir resultados distorcidos ou tratamento desigual. Pode decorrer dos dados, das escolhas de desenvolvimento e das condições de uso do sistema.
No trabalho jurídico
Examine quais grupos e situações estão representados na base e quais critérios orientam a classificação. Uma resposta isolada não permite concluir que o sistema esteja livre de viés.
Exemplo
Em exercício fictício, a mesma tarefa é testada com documentos equivalentes que variam apenas em características dos participantes, para investigar diferenças indevidas no resultado.

Fontes conceituais IBM — viés em IA

W

Workflow

Bloco 3
Conceito
Sequência organizada de etapas pela qual uma tarefa ampla é executada, com entrada, ordem definida e produto final.
No trabalho jurídico
Permite definir onde a IA participa da leitura, comparação e revisão, quem confere cada resultado e como tratar falhas. O procedimento deve preservar os documentos de referência.
Não confundir com
encadeamento de prompts, que é a divisão de um pedido dentro de uma conversa. O workflow é o procedimento, e sobrevive à conversa.
Exemplo
Revisão de minuta: leitura; identificação de problemas formais; comparação com a versão anterior; marcação das alterações de conteúdo; validação pelo advogado — nessa ordem, sempre.