Configurações, instruções e memória
Como organizar a conta e separar preferências permanentes de cada tarefa
Antes de enviar material profissional, confira qual conta está utilizando e quais recursos estão ativos. Esta página ajuda a reconhecer as configurações relevantes e a separar instruções, memória e a tarefa concreta. Os caminhos de menu e as condições de cada produto devem ser consultados na documentação do fornecedor.
A página anterior ajuda a identificar o material e a finalidade. Aqui você examina as condições da conta para decidir se ela se ajusta à tarefa. Em casos sob sigilo, com dados sensíveis ou com integrações amplas, essa avaliação pede atenção reforçada.
Algumas opções ajustam a apresentação das respostas; outras afetam o acesso e o tratamento dos dados. Convém separá-las: personalizar o assistente não equivale a configurar a proteção do material.
1. Como ler uma configuração
Para compreender uma configuração, examine três aspectos.
O que ela controla. Identifique a função da opção e confira seu alcance na documentação, sem concluir apenas pelo nome exibido na tela.
O que ela não controla. Essa pergunta ajuda a entender o alcance real da escolha. Desligar o uso do conteúdo para treinamento não define automaticamente a exclusão do conteúdo, as hipóteses de revisão humana previstas pelo serviço ou o prazo de retenção. São questões distintas, embora um mesmo ajuste possa afetar mais de uma delas; examine o alcance descrito pelo fornecedor.
Onde ela é decidida. Nem toda configuração está na tela. Há decisões que pertencem ao plano contratado, outras ao contrato firmado com o fornecedor, outras ao administrador do ambiente, e apenas as últimas ao usuário. Se a tela e o contrato parecerem divergir, esclareça a diferença com o administrador ou o fornecedor antes de enviar material protegido. A aparência da interface não resolve essa divergência.
O que fazer com isso
Identifique quais decisões cabem a você e quais dependem do administrador ou das condições do serviço.
2. O que vale conferir sobre o conteúdo enviado
Antes de usar material profissional, veja na documentação da conta como o produto descreve treinamento, acesso humano, retenção e exclusão. Esses termos não significam a mesma coisa e podem variar conforme o plano.
Uso para treinamento. Define se o material enviado pode alimentar o desenvolvimento de modelos futuros. Quando o conteúdo é incorporado ao treinamento, sua retirada não funciona como a exclusão de um arquivo de uma pasta. Por isso, em tarefas que envolvam material profissional, vale verificar se o produto oferece essa escolha, qual é o regime do plano contratado e se ele é compatível com a natureza do material.
Revisão humana. Define se, e em que hipóteses, pessoas leem trechos de conversas — em situações como avaliação de qualidade, apuração de denúncias ou monitoramento de uso abusivo. Aqui, trata-se do acesso no âmbito do fornecedor, diferente da revisão profissional que você realiza antes de utilizar o resultado. Confira as hipóteses previstas e quais escolhas a conta oferece. Não presuma que um botão de treinamento controla todas as formas de acesso humano.
Retenção. Define por quanto tempo o material permanece armazenado. O prazo apresentado ao usuário é o prazo ordinário. Obrigação legal ou regulatória dirigida ao fornecedor pode impor conservação além dele — lógica que a própria Lei 13.709/2018 reconhece no art. 16, ao ressalvar o cumprimento de obrigação legal ou regulatória entre as hipóteses de conservação após o término do tratamento. Confira o prazo ordinário e suas exceções: não o interprete como garantia incondicional de destruição.
Exclusão. Confira o que a exclusão abrange e em que prazo é concluída. Conversas, arquivos, memórias e links compartilhados podem ter controles próprios, conforme o produto.
Conversa temporária. Confira o que esse modo altera no histórico, na retenção e no uso do conteúdo. Em serviços em nuvem, não aparecer no histórico não significa que o conteúdo deixe de ser enviado ao fornecedor. A adequação do ambiente continua a depender da tarefa e do material.
Um passo prático
Confira as informações aplicáveis ao plano usado e volte a elas quando mudar de produto, de plano ou de tipo de material.
3. O alcance além do que você digita
A conferência não se limita ao chatbot. Inclua os recursos de IA incorporados a editores, extensões e aplicativos de reunião: verifique se estão ativos, quais permissões receberam e se o uso está autorizado pelo escritório ou pela instituição. Um programa já conhecido pode oferecer um novo caminho de acesso aos dados.
Considere também o acesso decorrente de memória, integrações e compartilhamento. O conteúdo disponível para a ferramenta pode ir além do que foi digitado na conversa atual.
Memória e personalização. A memória pode retomar informações entre conversas, conforme os recursos e controles da conta. Confira o que permanece disponível e se continua adequado ao trabalho atual. Informações de outra tarefa podem introduzir pressupostos que não se aplicam ao documento em exame.
Conectores e integrações. Concedem acesso a e-mail, agenda, nuvem e repositórios de arquivos, conforme as permissões concedidas. Revise o alcance e a duração de cada autorização. Como medida de cautela, limite o acesso ao necessário à tarefa e revogue permissões que deixaram de ser úteis.
Compartilhamento por link. Disponibiliza conteúdo conforme as permissões do serviço. Verifique se o acesso é aberto a qualquer pessoa com o endereço ou restrito a usuários autorizados, qual conteúdo fica acessível e como revogar o compartilhamento.
Sincronização entre dispositivos. Se o histórico estiver disponível no celular pessoal, inclua esse aparelho na avaliação de segurança: quem pode acessá-lo e quais controles de proteção estão ativos?
O que fazer com isso
Revise periodicamente as permissões ativas e retire os acessos que deixaram de ser necessários, observadas as regras do ambiente institucional.
Quando houver capacidade de agir, confira separadamente o que a ferramenta pode ler e o que pode alterar ou enviar. Veja a supervisão proporcional à autonomia.
4. Conta pessoal, institucional e profissional
As condições da conta ajudam a interpretar os controles disponíveis. Dentro do mesmo produto, contas pessoais, contas corporativas e acesso por interface de programação podem estar sujeitos a políticas de dados distintas, inclusive quanto ao uso do conteúdo para treinamento. A mesma ferramenta, com o mesmo nome e a mesma aparência, pode se ajustar melhor ou pior ao trabalho jurídico conforme o plano contratado, a tarefa e o material envolvido.
Em ambiente institucional, três perguntas antecedem qualquer configuração: quem administra o ambiente, o que o administrador consegue ver, e quem responde perante o cliente pelo material ali tratado.
Confira também as opções de proteção de acesso, como verificação em duas etapas, e os dispositivos ou sessões conectados, quando esses controles estiverem disponíveis.
O instrumento contratual é a camada seguinte. Termos de uso, política de privacidade e, havendo, acordo específico de tratamento de dados descrevem compromissos do fornecedor. O silêncio contratual não afasta obrigações previstas em lei; pontos relevantes que permaneçam obscuros exigem esclarecimento.
O que fazer com isso
Antes de adotar a ferramenta para trabalho de cliente, leia a política de privacidade e o termo de uso do plano que você efetivamente contratou — não o resumo comercial. Guarde o texto com a data em que o consultou.
5. Continuidade e custo
Planeje também a saída do serviço. Verifique como exportar os trabalhos, encerrar a conta e solicitar a exclusão do material, inclusive quais prazos e exceções permanecem após o término do contrato. Guarde os documentos necessários em ambiente próprio e autorizado, sem depender exclusivamente do histórico da ferramenta.
Esta família também abrange limite de uso, escolha de modelo, teto de gasto e comportamento do serviço quando a cota regular se esgota.
Confira o que o plano prevê quando um limite é atingido: interrupção, cobrança adicional ou alteração dos recursos disponíveis. Verifique os avisos e as condições de retomada. Uma mudança de modelo ou de recurso merece nova avaliação para a tarefa, mas não permite concluir, por si só, que toda resposta será pior.
O que fazer com isso
Confira os limites do plano e, quando disponível, configure um teto de gasto. Se o resultado mudar, verifique os recursos ativos e os avisos do serviço, sem presumir uma causa única.
Instruções e memória: como orientar o trabalho
Além do destino dos dados, configure a forma de colaboração. Instruções persistentes expressam preferências gerais, como idioma e padrão de fundamentação. Memória permite retomar informações entre conversas, conforme os recursos e controles da conta. Já o pedido da conversa define a tarefa concreta e os documentos que devem ser considerados.
Reserve as orientações gerais para o que se repete. Detalhes de um caso não devem virar preferências para todos os trabalhos. Pedir “não memorize” ou “use apenas estes arquivos” não altera, por si só, os controles de privacidade e de armazenamento.
Na prática: “responda em português e indique as fontes” pode ser uma preferência geral; os documentos e as decisões de uma revisão específica pertencem àquela tarefa.
Escolha um exemplo de instruções conforme a finalidade. Cada link abre o texto completo, com orientações de adaptação e limites:
- Uso jurídico geral — escrita, análise e fontes.
- Advocacia contenciosa — peças, argumentos e pedidos.
- Assessoria de magistrado — minutas e fundamentação judicial.
- Estudante de Direito — compreensão e raciocínio jurídico.
São exemplos de instruções, não de memória. Utilize o perfil adequado ao contexto, sem combinar automaticamente orientações de advocacia e de assessoria judicial.
Para decidir o que pode permanecer entre conversas, veja O que pode permanecer — e o que deve ficar na tarefa. A página mostra como separar preferências gerais, informação da tarefa atual e dados que não devem se tornar persistentes.
Consulte também a documentação do ChatGPT e do Claude.
Testes simples, quando forem úteis
Se quiser conhecer melhor um recurso, testes com material inteiramente fictício ajudam a observar o comportamento visível. Eles complementam a documentação do fornecedor.
- Use uma informação fictícia em uma conversa de teste e observe se ela reaparece em outra, conforme os controles de memória. A ausência de resposta não comprova ausência de armazenamento.
- Com material fictício, observe o efeito da exclusão nas áreas indicadas pela documentação do produto. Esse teste mostra o comportamento visível; não comprova eliminação nos servidores.
- Compartilhe um link de teste e abra-o em navegador sem sessão iniciada.
- Percorra a lista de permissões concedidas e confirme que cada uma corresponde a uma tarefa em curso.
Em uso recorrente ou institucional, pode ser útil registrar as escolhas relevantes da conta. Para o uso inicial, o essencial é reconhecer quais recursos estão ativos e consultar as informações atuais quando a tarefa mudar. Para organizar essas escolhas em equipe, veja como estabelecer um protocolo mínimo de uso.
As condições específicas de cada produto devem ser conferidas na documentação oficial e nas políticas vigentes do fornecedor. Refaça a consulta quando mudarem o plano, os termos, as integrações ou o tipo de material utilizado.