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Bloco 1

Segurança, sigilo e noções gerais

O vocabulário das decisões que antecedem o primeiro uso profissional: o que a ferramenta é, para onde vai o material, quem pode lê-lo e o que a lei chama do que você está enviando.

Este bloco reúne uma seleção temática dos mesmos verbetes disponíveis no Vocabulário completo.

Verbetes deste bloco

28 termos

Modelo de linguagem (large language model, LLM)

Conceito
Modelo computacional que aprende padrões da linguagem durante o treinamento. Nos modelos generativos, a resposta é produzida por geração de tokens a partir do contexto recebido; sua correção exige verificação.
No trabalho jurídico
Pode apoiar síntese, classificação, redação e análise. A fluência da resposta não demonstra fidelidade aos autos nem existência ou pertinência de um precedente. Busca, leitura de arquivos e execução de ações dependem dos recursos integrados à ferramenta.
Não confundir com
buscador, que recupera documentos. O modelo gera ou interpreta conteúdo; quando uma aplicação combina busca e geração, os resultados recuperados podem alimentar a resposta. A presença de links não comprova que uma fonte tenha sido aberta e conferida.
Exemplo
Perguntado sobre prazo recursal em hipótese incomum, o modelo tende a produzir a resposta que mais se parece com as respostas que leu. Se a hipótese for regida por regra especial pouco frequente nos textos de treinamento, a resposta mais provável não é a correta.

Fontes conceituais IBM — modelos de linguagem

Treinamento e inferência (training and inference)

Conceito
Treinamento ajusta os parâmetros do modelo com dados. Inferência utiliza esses parâmetros para produzir uma resposta; por si só, não os altera. Registro da conversa e eventual uso posterior para treinamento são questões distintas.
No trabalho jurídico
Enviar material para uma resposta e autorizar seu uso em treinamento são operações diferentes. Excluir o arquivo ou a conversa não equivale a desfazer um treinamento já realizado. Confira separadamente as condições de processamento, conservação e uso posterior do conteúdo.
Não confundir com
memória, que pode conservar informações para uso em conversas futuras. Esse armazenamento não modifica, por si só, os parâmetros do modelo.
Exemplo
Em exercício fictício, uma minuta é usada para gerar uma síntese. Antes do envio, o participante verifica se o serviço permite usar esse material também no treinamento e quais condições regem sua exclusão.

Fontes conceituais IBM — inferência

Uso do conteúdo para treinamento (content use for training)

Conceito
Configuração ou cláusula contratual que define se o material enviado pelo usuário pode integrar o acervo de treinamento de modelos futuros do fornecedor.
No trabalho jurídico
Antes de enviar minutas ou documentos profissionais, confira se o serviço pode utilizá-los em treinamento. A escolha deve ser compatível com o sigilo do material e com as regras do órgão ou escritório.
O que decidir
Verifique em qual camada a decisão está: alguns planos excluem o uso para treinamento por padrão contratual, outros deixam a escolha ao usuário, outros não a oferecem. Onde o contrato e a tela divergirem, o contrato descreve a obrigação e a tela descreve apenas o comportamento atual do produto.
Não confundir com
retenção nem com revisão humana. São três controles independentes. Desativar o treinamento não apaga o conteúdo, não encurta o prazo de armazenamento e não impede a leitura por revisor humano nas hipóteses previstas na política do fornecedor.
Exemplo
Escritório que desativou o treinamento e concluiu, por isso, que as conversas seriam apagadas ao fim do dia. Não seriam: o prazo de retenção continuava a correr, regido por outra configuração.

Retenção (data retention)

Conceito
Prazo durante o qual o fornecedor conserva o material enviado — conversas, arquivos, registros de uso — em seus próprios sistemas.
No trabalho jurídico
O prazo divulgado ao usuário é o prazo ordinário, não uma garantia de destruição. Obrigação legal ou regulatória dirigida ao fornecedor pode impor conservação além dele, lógica que a própria Lei 13.709/2018 reconhece ao ressalvar, no art. 16, o cumprimento de obrigação legal ou regulatória entre as hipóteses de conservação após o término do tratamento. Ordem judicial dirigida ao fornecedor produz o mesmo efeito.
O que decidir
Antes de enviar material sob sigilo, saiba qual é o prazo, onde ele está declarado e se o seu plano o altera. Registre a data em que conferiu: é informação que muda sem aviso.
Não confundir com
exclusão. Retenção é quanto tempo o material fica; exclusão é o que acontece quando você pede que ele saia — e os dois prazos raramente coincidem.
Exemplo
Consulta pontual sobre documento sensível, feita em conversa comum, permanece armazenada pelo prazo do produto ainda que você apague a conversa da tela no minuto seguinte.

Revisão humana (human review)

Conceito
Hipótese em que pessoas empregadas ou contratadas pelo fornecedor leem trechos de conversas — em regra para avaliar qualidade, apurar denúncia de uso abusivo ou treinar sistemas de moderação.
No trabalho jurídico
Confira quem pode ler o material enviado e em quais hipóteses. Essa informação importa especialmente para minutas, estratégias e documentos sujeitos a sigilo.
Não confundir com
validação humana, que é a sua conferência do resultado. Aqui, o humano que revisa é do fornecedor, e revisa o seu material.
Exemplo
Conversa que aciona um filtro automático de conteúdo pode ser encaminhada a revisor humano para apuração, mesmo que o usuário tenha desativado o uso para treinamento.

Exclusão (deletion)

Conceito
Remoção do material dos sistemas do fornecedor a pedido do usuário. Apagar a conversa na tela e apagá-la no servidor são eventos distintos, com prazos distintos.
No trabalho jurídico
O que costuma escapar são as cópias derivadas: conversa compartilhada por link, trecho incorporado à memória, arquivo anexado que permanece na área de arquivos do produto, resposta copiada para outro ambiente. Excluir a conversa de origem não alcança necessariamente nenhuma delas.
O que decidir
Ao encerrar um trabalho com material sensível, verifique separadamente: histórico, arquivos anexados, memória, links compartilhados e projetos ou espaços de trabalho onde o conteúdo tenha sido reaproveitado.
Exemplo
Minuta apagada do histórico que continua acessível pelo link de compartilhamento gerado três semanas antes.

Conversa temporária (temporary chat)

Conceito
Modo de conversa com regras próprias para histórico e eventual persistência de informações. Prazo de retenção, uso para treinamento e interação com a memória dependem do produto e das condições aplicáveis à conta.
No trabalho jurídico
Não trate a ausência no histórico como garantia de sigilo ou de eliminação imediata. Antes de enviar material, confira processamento, acesso humano, retenção e uso posterior. O nome temporária não torna qualquer documento adequado ao serviço.
Não confundir com
navegação anônima, que limita determinados registros locais do navegador. Ela não impede que um serviço receba e processe o conteúdo enviado.
Exemplo
Em exercício fictício, a cláusula analisada não aparece no histórico de conversas; o participante ainda precisa conferir as regras de conservação e processamento do serviço.

Conta pessoal e conta institucional (personal account and business account)

Conceito
Regimes distintos de contratação do mesmo produto. A conta pessoal é regida pelos termos de uso de consumo; a institucional — corporativa, empresarial, de equipe — costuma vir acompanhada de instrumento contratual próprio, com cláusulas sobre tratamento de dados, confidencialidade, retenção e uso para treinamento.
No trabalho jurídico
Confira qual regime contratual autoriza o uso de documentos profissionais e quem administra a conta. Acesso institucional também exige atenção às permissões sobre materiais de clientes ou de trabalhos distintos.
O que decidir
Identifique em qual das três camadas você está autorizado a decidir: regime da conta e contrato; configurações do produto; escolha feita em cada conversa. Nessa ordem.
Exemplo
Advogado que usa a assinatura pessoal para revisar peças do escritório opera fora do instrumento contratual firmado pela banca — e fora das garantias que ele oferece.

Criptografia em trânsito e em repouso (encryption in transit and at rest)

Conceito
Proteção criptográfica da comunicação, em trânsito, ou dos dados armazenados, em repouso. Sua eficácia depende da implementação e da proteção das chaves; não impede, por si só, o acesso autorizado do fornecedor ao conteúdo.
No trabalho jurídico
Criptografia em trânsito e em repouso não demonstra, por si só, quem pode acessar o conteúdo durante o processamento. Confira o desenho do serviço, a gestão das chaves e as regras de acesso; não presuma que a cifragem impeça leitura pelo fornecedor.
Não confundir com
criptografia de ponta a ponta, cuja proteção depende de quem são os pontos finais e quem controla as chaves. A proteção anunciada deve ser examinada junto com o modo de processamento da IA.
Exemplo
Página de segurança que anuncia cifragem em trânsito e em repouso e, na política de privacidade, prevê revisão humana de conversas sinalizadas. As duas informações são verdadeiras e não se contradizem.

Fontes conceituais Cloudflare — criptografia

Nuvem e execução local (cloud and local execution)

Conceito
Distinção entre processamento em servidores externos e processamento no próprio computador ou em servidor sob seu controle. Um arquivo pode estar salvo localmente e, ainda assim, ter seu conteúdo enviado a um modelo em nuvem pela aplicação que o utiliza.
No trabalho jurídico
Para avaliar a circulação do material, verifique onde o arquivo fica, onde o modelo o processa e quais serviços recebem seu conteúdo. A execução local do modelo não demonstra, por si só, que todo o fluxo esteja isolado: conexões, acesso à rede e sincronização também precisam ser examinados.
O que decidir
Nem toda tarefa exige o mesmo regime. Pesquisa conceitual sem dado de cliente e revisão de peça com identificação das partes não precisam correr no mesmo ambiente.
Exemplo
Usar ferramenta em nuvem para estudar a estrutura de um recurso e reservar o processamento local — ou a anonimização prévia — para o texto que contém nomes, valores e fatos do caso.

Autenticação em dois fatores (2FA, MFA)

Conceito
Exigência de dois elementos independentes para acessar a conta: algo que você sabe (a senha) e algo que você tem (um aplicativo gerador de códigos, uma chave física) ou algo que você é (biometria).
No trabalho jurídico
Protege o acesso à conta que reúne minutas, documentos e serviços conectados. É uma medida de segurança adicional; não substitui o controle de compartilhamento e de permissões.
O que decidir
Prefira aplicativo gerador de códigos ou chave física ao envio por SMS, vulnerável à transferência fraudulenta de linha. Guarde os códigos de recuperação fora do próprio dispositivo.
Exemplo
Conta acessada de novo dispositivo com senha vazada em incidente alheio. Com o segundo fator ativo, o acesso não se completa.

Dado pessoal (personal data)

Conceito
Informação relacionada a pessoa natural identificada ou identificável (Lei 13.709/2018, art. 5º, I). O critério não é a presença do nome: basta que a informação, isolada ou combinada com outras, permita chegar à pessoa.
No trabalho jurídico
Os autos podem conter dados de partes, testemunhas e terceiros. Identifique quais informações permitem reconhecer uma pessoa antes de utilizar o material em uma ferramenta.
Não confundir com
dado sigiloso. As categorias se sobrepõem sem coincidir: há dado pessoal sem sigilo e há informação sob sigilo profissional que não é dado pessoal, como a estratégia de um cliente pessoa jurídica.
Exemplo
Número de processo, sozinho, costuma bastar para chegar às partes em sistema de consulta pública. Remover o nome e manter o número não anonimiza coisa alguma.

Dado pessoal sensível (sensitive personal data)

Conceito
Categoria definida na Lei 13.709/2018, art. 5º, II: dado sobre origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico ou político, dado referente à saúde ou à vida sexual, dado genético ou biométrico, quando vinculado a pessoa natural. O tratamento segue regime mais restrito, previsto no art. 11.
No trabalho jurídico
Documentos sobre saúde, biometria ou outras categorias previstas na definição exigem avaliação específica. O ramo do Direito ou o caráter reservado dos autos, por si só, não determina que todo dado seja sensível.
O que decidir
Para material sensível, decida antes: anonimizar, processar localmente, ou não delegar. A escolha por conveniência é a única que não se sustenta depois.
Exemplo
Laudo pericial com diagnóstico e histórico clínico enviado para “resumir os pontos principais”. O resumo é útil; o envio integral do laudo a produto de conta pessoal é o problema.

Tratamento (data processing)

Conceito
Toda operação realizada com dados pessoais — coleta, uso, acesso, reprodução, transmissão, armazenamento, eliminação, entre as demais hipóteses do art. 5º, X, da Lei 13.709/2018. É conceito deliberadamente amplo.
No trabalho jurídico
Quando o documento contém dados pessoais, sua leitura, uso, classificação ou envio por uma ferramenta são operações de tratamento. Identifique quais dados estão envolvidos, para qual finalidade serão utilizados e quem terá acesso; a informalidade do uso não dispensa esse exame.
Não confundir com
compartilhamento. O compartilhamento é uma das operações de tratamento, não sinônimo do conjunto.
Exemplo
Em exercício fictício, uma ferramenta lê dados pessoais de um documento apenas no computador: já há tratamento pelo acesso, mesmo sem envio à nuvem. Transmissão e armazenamento são operações distintas, quando efetivamente ocorrerem.

Fontes conceituais LGPD — art. 5º, X

Controlador e operador (controller and processor)

Conceito
Controlador decide sobre o tratamento de dados pessoais; operador realiza o tratamento em seu nome (LGPD, art. 5º, VI e VII). A qualificação depende da atuação efetiva em cada operação.
No trabalho jurídico
Examine quem define a finalidade e as decisões essenciais, quem segue instruções e se o fornecedor utiliza os dados para finalidades próprias. O contrato é relevante, mas a designação nele adotada não substitui a análise da atuação efetiva, conforme orienta a ANPD.
Não confundir com
encarregado, que atua como canal de comunicação entre os agentes indicados na lei, titulares e ANPD (art. 5º, VIII). Sua função não o torna automaticamente controlador ou operador.
Exemplo
Cláusula contratual que obrigue o fornecedor a não usar o material para treinamento organiza a relação entre as partes; não desloca para ele a decisão de enviar, que continua sendo do advogado.

Fontes conceituais LGPD — art. 5º, VI a VIII ·ANPD — agentes de tratamento, itens 17 e 55

Anonimização e pseudonimização (anonymization and pseudonymization)

Conceito
Anonimização impede a associação do dado a um indivíduo por meios técnicos razoáveis disponíveis. A LGPD ressalva a reversão por meios próprios ou com esforços razoáveis (arts. 5º, XI, e 12). Na pseudonimização, a associação depende de informação adicional mantida separadamente em ambiente controlado e seguro (art. 13, § 4º, no âmbito ali previsto).
No trabalho jurídico
Substituir nomes não basta para anonimizar um documento. Datas, valores, número do processo e narrativa podem permitir reidentificação. Se permanece uma chave de associação ou outro meio de identificar a pessoa, não trate a troca de nomes como garantia de anonimato.
O que decidir
Examine os identificadores diretos e as combinações que ainda permitam reconhecer a pessoa. Se a retirada desses elementos impedir a tarefa, reavalie quais materiais podem ser utilizados e em qual ambiente autorizado.
Exemplo
Substituir “João da Silva” por “o autor” em uma inicial de acidente de trabalho e manter a data do sinistro, o CNPJ da empregadora e o número do processo. Nada foi anonimizado.

Fontes conceituais LGPD — arts. 5º, 12 e 13

Injeção de instrução (prompt injection)

Conceito
Manipulação da entrada para desviar o comportamento do sistema. Pode ser direta, no próprio pedido, ou indireta, em conteúdo externo como documentos, páginas e e-mails. A instrução pode estar visível ou apenas ser legível pela ferramenta.
No trabalho jurídico
O tema interessa sobretudo quando a ferramenta lê material de origem externa e, além de resumir ou pesquisar, alcança arquivos, e-mail ou serviços conectados. Um documento adverso não é automaticamente malicioso; ainda assim, não deve receber a mesma confiança que uma instrução expressa do usuário.
Não confundir com
alucinação. Na alucinação, a resposta erra por gerar informação sem base suficiente; na injeção, o material tenta desviar a tarefa por uma instrução nele inserida. A primeira exige conferência; a segunda também recomenda limitar permissões e efeitos externos.
O que decidir
Em tarefas comuns de leitura, deixe claro que o documento é fonte de conteúdo, não de comandos. Quando houver agente, pasta, caixa de entrada ou capacidade de escrever e enviar, separe as permissões: ler, alterar, encaminhar e apagar são autorizações diferentes.
Exemplo
Anexo de origem externa contém uma frase escondida pedindo que o sistema ignore o escopo do usuário. A saída pode ficar incompleta ou deslocada. A reação adequada é revisar o resultado e, em fluxos com ação externa, impedir que o material determine qualquer ação.

Fontes conceituais OWASP — injeção direta e indireta

Vazamento de contexto (context leakage)

Conceito
Aparecimento, em uma resposta, de informação proveniente de outro trabalho, outro caso ou outra fonte que o usuário não pretendia trazer para aquela conversa. Nasce em regra da memória, dos conectores, de projetos com base documental compartilhada ou do próprio histórico longo.
No trabalho jurídico
Informação de outro trabalho pode comprometer o sigilo ou introduzir uma premissa estranha à tarefa. Confira de onde veio o dado retomado e se ele pertence aos documentos autorizados.
O que decidir
Separe por conversa o que é separado por dever: casos distintos, partes com interesses contrapostos, material de clientes diferentes. Revise periodicamente o que a memória guardou.
Exemplo
Minuta de contestação que incorpora, sem pedido, a tese de defesa desenvolvida semanas antes para outro cliente da mesma banca.

Alucinação (hallucination)

Conceito
Geração de conteúdo falso ou sem sustentação suficiente nas fontes disponíveis, apresentado de forma plausível. Pode afetar fatos, referências e descrições de documentos. A presença de citações não elimina o risco.
No trabalho jurídico
A ferramenta pode atribuir a um tribunal fundamento que ele não adotou, fundir teses de julgados distintos ou produzir um número plausível sem processo correspondente. A aparência formal dificulta detectar a falha sem confrontar a resposta com as fontes.
Não confundir com
desatualização: uma informação antes correta pode ter perdido validade. Alucinação também pode envolver fontes reais usadas sem sustentação para a afirmação. Injeção de instrução é outro mecanismo de falha e pode induzir respostas incorretas; essas situações podem coexistir.
Erro comum
supor que a presença de uma referência encerra a conferência. Abra a fonte, localize o trecho e verifique se ele sustenta a afirmação, inclusive suas condições e ressalvas.
Exemplo
Pedido de precedentes sobre questão processual que retorna cinco julgados: três reais e bem sintetizados, um real com ementa trocada, um inexistente. O conjunto é convincente justamente porque a maior parte confere.

Fontes conceituais IBM — modelos de linguagem

Confiabilidade (reliability)

Conceito
Grau de confiança que se pode atribuir a uma resposta considerada a natureza da tarefa, o tipo de informação envolvida e a possibilidade de verificá-la. É atributo da relação entre resposta e uso pretendido, não qualidade intrínseca do texto.
No trabalho jurídico
A mesma resposta pode ser confiável para uma finalidade e imprestável para outra. Reorganizar a ordem dos parágrafos de uma minuta e afirmar o entendimento atual de um tribunal exigem graus de conferência incomparáveis, ainda que saiam da mesma conversa e com a mesma fluência.
Não confundir com
precisão. Uma resposta pode ser precisa quanto ao documento que leu e pouco confiável para o uso que se pretende dar a ela.
Exemplo
Uma síntese de decisão anexada pode ser conferida contra o original; sua confiabilidade depende do resultado dessa conferência. Uma afirmação sobre a orientação atual dos tribunais exige pesquisa em fontes pertinentes e atualizadas.

Precisão da resposta (response accuracy)

Conceito
Exatidão das informações e das relações que a resposta apresenta. Na avaliação, convém distinguir correção factual, fidelidade à fonte e atendimento à instrução: uma resposta pode cumprir o formato pedido e ainda errar o conteúdo.
No trabalho jurídico
Na síntese de uma decisão, confira pedido apreciado, fundamento determinante, resultado e ressalvas. Uma passagem pode estar no julgado e, ainda assim, ter função diferente da que o resumo lhe atribuiu.
Não confundir com
elegância. Texto bem construído e texto exato são propriedades independentes, e a primeira dificulta a percepção da ausência da segunda.
Exemplo
Resumo que descreve como razão de decidir aquilo que o acórdão tratou como observação lateral. A frase está no julgado; a função que o resumo lhe atribui, não.

Validação humana (human validation)

Conceito
Conferência do resultado por pessoa responsável antes do uso efetivo. Alcança correção do conteúdo, aderência ao caso, precisão terminológica, fidelidade ao documento e utilidade estratégica.
No trabalho jurídico
Antes de aproveitar o resultado, confira fatos, fontes, alcance jurídico e alterações de sentido. A revisão exige confronto com os documentos, não apenas uma leitura da redação final.
Não confundir com
revisão humana pelo fornecedor, que designa o acesso de pessoal do serviço ao conteúdo nas hipóteses previstas em suas políticas. A validação aqui tratada é a conferência profissional do resultado antes de utilizá-lo.
Erro comum
tratar validação como leitura de conferência final. Validar é abrir a fonte citada, confrontar o resumo com o documento e verificar se a alteração de redação preservou o sentido jurídico.
Exemplo
Sugestão de clareza que, ao eliminar uma subordinada considerada redundante, suprime a ressalva que delimitava o pedido.

Supervisão humana (human oversight)

Conceito
Acompanhamento humano ao longo de todo o processo, e não apenas na conferência do texto final. Envolve decidir o que se delega, em que etapa a ferramenta entra, que tipo de resposta se admite e quando o fluxo deve ser interrompido.
No trabalho jurídico
Defina quais etapas podem ser executadas, quais exigem aprovação e como interromper o fluxo. A conferência do plano, dos resultados intermediários e das ações deve acompanhar a autonomia concedida.
Não confundir com
validação humana, que é a conferência do produto. A supervisão é contínua e alcança o desenho do fluxo; a validação é pontual e alcança o resultado.
Exemplo
Ao usar IA para comparar versões de uma petição, delimitar desde o início que a ferramenta apenas destaque alterações e não proponha modificação de fundamentos — em vez de corrigir o excesso depois de recebido.

Guardrails

Conceito
Salvaguardas para limitar comportamentos ou ações do sistema. Podem combinar instruções, validações de entrada e saída, restrições de acesso e pontos de aprovação; sua eficácia depende da implementação.
No trabalho jurídico
Servem bem para o que é rotineiro: não reformular fundamentos, não acrescentar precedente não fornecido, separar problema de forma de problema de conteúdo. Fixam um padrão de trabalho e poupam repetição.
Erro comum
confundir uma instrução em linguagem natural com um bloqueio técnico. A orientação pode ser descumprida; uma restrição efetivamente aplicada pelo ambiente limita a operação autorizada. Ambas precisam ser testadas, e nenhuma dispensa supervisão.
Exemplo
Uma orientação para citar apenas jurisprudência fornecida pode ser combinada com verificação das referências e bloqueio de envio antes da validação humana. A orientação, isoladamente, não assegura cumprimento.

Inteligência artificial (artificial intelligence, AI)

Conceito
Campo de métodos e sistemas computacionais capazes de realizar tarefas como reconhecer padrões, classificar informações, gerar conteúdo e apoiar decisões. Abrange tecnologias diferentes; suas capacidades e limitações dependem do sistema e da tarefa.
No trabalho jurídico
Identifique a função concreta: localizar um documento, classificar uma demanda ou produzir uma minuta envolvem operações e verificações distintas. O rótulo IA não demonstra exatidão, autonomia ou adequação jurídica.
Exemplo
Em exercício fictício, um sistema classifica documentos por assunto e outro produz uma síntese. A avaliação deve considerar separadamente os erros de cada tarefa.

Fontes conceituais IBM — inteligência artificial

IA generativa (generative AI)

Conceito
Sistemas de inteligência artificial que geram conteúdo, como texto, imagens, áudio ou código, a partir de padrões aprendidos e das entradas recebidas. Produzir uma resposta não equivale a recuperar fielmente um documento.
No trabalho jurídico
Use o resultado como material a conferir. Separe geração, pesquisa e transcrição: cada uma exige uma forma própria de verificar o conteúdo e sua relação com a fonte.
Exemplo
Em exercício fictício, a ferramenta redige uma síntese de decisão fornecida; o participante confere fundamento, resultado e ressalvas no documento original.

Fontes conceituais IBM — IA generativa

Viés em IA (AI bias)

Conceito
Tendência sistemática que pode produzir resultados distorcidos ou tratamento desigual. Pode decorrer dos dados, das escolhas de desenvolvimento e das condições de uso do sistema.
No trabalho jurídico
Examine quais grupos e situações estão representados na base e quais critérios orientam a classificação. Uma resposta isolada não permite concluir que o sistema esteja livre de viés.
Exemplo
Em exercício fictício, a mesma tarefa é testada com documentos equivalentes que variam apenas em características dos participantes, para investigar diferenças indevidas no resultado.

Fontes conceituais IBM — viés em IA

Minimização de dados (data minimization)

Conceito
Limitação dos dados utilizados ao necessário para uma finalidade definida. Na LGPD, relaciona-se ao princípio da necessidade, previsto no art. 6º, III: dados pertinentes, proporcionais e não excessivos.
No trabalho jurídico
Selecione os documentos e trechos necessários à tarefa antes de compartilhar. Reduzir o volume ajuda a limitar a exposição, mas não substitui a avaliação da finalidade, da base legal e do ambiente de processamento.
Não confundir com
anonimização. Minimizar reduz os dados utilizados; anonimizar procura impedir a associação a uma pessoa. Um conjunto menor pode continuar plenamente identificável.
Exemplo
Em exercício fictício de revisão de uma cláusula, fornecer apenas o trecho pertinente e os elementos necessários à compreensão, em vez do contrato e de todos os anexos.

Fontes conceituais LGPD — art. 6º, III