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Bloco 3

Agentes, automação e delegação

O vocabulário da delegação: o que muda quando o sistema executa etapas sozinho, como se gradua a autonomia e onde o fluxo precisa parar para pedir aprovação.

Este bloco reúne uma seleção temática dos mesmos verbetes disponíveis no Vocabulário completo.

Verbetes deste bloco

25 termos

Agente (agent)

Conceito
Sistema que executa tarefas em etapas com algum grau de autonomia: recebe um objetivo, decide os passos, aciona ferramentas, avalia o resultado de cada passo e prossegue — sem que cada movimento seja pedido pelo usuário.
No trabalho jurídico
O agente pode realizar várias etapas entre intervenções humanas, mas também pode apresentar um plano, pedir aprovação e permitir interrupção. Defina o que ele pode executar, o que exige decisão prévia e quais registros permitirão conferir o percurso.
Não confundir com
automação. A automação repete passos fixos que alguém definiu; o agente escolhe os passos. Previsibilidade e flexibilidade trocam de lugar.
O que decidir
Antes do primeiro uso: o que ele pode ler, o que pode escrever, o que não pode fazer sozinho e onde para para pedir aprovação.
Exemplo
Agente que recebe duas versões de uma peça e devolve quadro com alterações de linguagem, mudanças de conteúdo e possível impacto sobre a tese — lendo os arquivos, comparando e formatando a saída, em etapas próprias.

Fontes conceituais Anthropic — agentes e fluxos

Automação (automation)

Conceito
Execução automática de uma tarefa, ou de parte dela, com pouca ou nenhuma intervenção humana a cada repetição.
No trabalho jurídico
Pode apoiar tarefas repetidas, como inventariar arquivos e montar quadros de dados. A seleção dos critérios e a avaliação da pertinência jurídica dos resultados continuam a exigir exame próprio.
Erro comum
estender a automação ao juízo. Nem toda tarefa jurídica é automatizável com segurança, e a fronteira não é técnica: automatiza-se a etapa operacional, não a decisão sobre o que a etapa produziu.
Exemplo
Extrair de um conjunto de decisões os campos número, órgão julgador, pedido apreciado, resultado e prazo. Decidir quais dessas decisões servem à tese não pertence ao mesmo fluxo.

Autonomia graduada (graduated autonomy)

Conceito
Forma de distribuir a autonomia por etapas e ações: apenas propor; executar após aprovação; ou executar ações previamente delimitadas, com acompanhamento e registro. A graduação depende do risco e dos efeitos possíveis, não só da capacidade da ferramenta.
No trabalho jurídico
A escala é útil porque permite casar o grau de autonomia com a reversibilidade da ação e com o risco do material. Ler uma pasta e propor uma organização é um degrau; renomear os arquivos é outro; enviar uma peça é outro ainda. Conceder o degrau mais alto porque o mais baixo funcionou bem é o erro de progressão mais comum.
O que decidir
Comece pelo degrau em que o sistema propõe e você executa. Suba um degrau por vez, e só depois de o anterior ter corrido sem correção relevante por um número razoável de repetições.
Exemplo
Agente de triagem documental que, nas primeiras semanas, apenas sugere a classificação; depois passa a aplicá-la em pastas de trabalho; e nunca alcança a pasta de peças protocoladas.

Permissão de ação (action permission)

Conceito
Autorização técnica concedida ao sistema para operar sobre um recurso determinado. Ler, criar, alterar, apagar e enviar são permissões distintas, e cada uma pode ser concedida ou negada separadamente.
No trabalho jurídico
Uma permissão aplicada pelo ambiente limita o que o sistema pode fazer, independentemente do pedido em linguagem natural. Confira o alcance real: acesso de leitura, acesso à rede e escrita são controles distintos. Restrinja cada recurso ao necessário e teste se a restrição funciona.
O que decidir
Conceda o mínimo necessário à tarefa e revise depois. Permissão concedida em caráter excepcional tende a permanecer concedida, porque ninguém volta para revogá-la.
Exemplo
Em exercício fictício, o agente lê uma pasta sem permissão para alterar seus arquivos. Ainda é necessário conferir se pode enviar conteúdo pela rede; impedir escrita não elimina, por si só, o risco de exposição.

Ponto de aprovação (checkpoint, human-in-the-loop)

Conceito
Etapa do fluxo em que a execução para e aguarda decisão humana antes de prosseguir.
No trabalho jurídico
Coloque a aprovação antes de atos com efeitos relevantes, como envio de mensagem, publicação ou protocolo. Ela também pode ser necessária antes de alterações reversíveis em documentos importantes. A conferência deve mostrar a ação proposta, seu alcance e o resultado que será utilizado.
Erro comum
aprovar automaticamente por excesso de interrupções ou por falta de informação. Escolha os pontos conforme o risco e apresente um resultado concreto para conferência; o número de aprovações, isoladamente, não demonstra controle.
Exemplo
Fluxo de organização documental que executa a leitura e a proposta de classificação sozinho, para antes de mover qualquer arquivo, e só retoma depois da conferência da lista.

Ação irreversível (irreversible action)

Conceito
Ação cujo efeito não se desfaz pelo próprio sistema: enviar mensagem, protocolar, apagar sem lixeira, sobrescrever arquivo sem versão anterior, conceder acesso a terceiro, publicar.
No trabalho jurídico
Envio, compartilhamento e protocolo podem produzir efeitos que a exclusão do arquivo não desfaz. Defina a conferência e a autorização necessárias antes da ação.
O que decidir
Liste, antes de ligar o fluxo, quais ações dele são irreversíveis. Se a lista não estiver clara, o fluxo ainda não está pronto para rodar sobre material real.
Exemplo
Automação de organização de pasta que sobrescreve arquivos de mesmo nome. A operação é banal, o efeito é definitivo, e a versão anterior da minuta não volta.

Workflow

Conceito
Sequência organizada de etapas pela qual uma tarefa ampla é executada, com entrada, ordem definida e produto final.
No trabalho jurídico
Permite definir onde a IA participa da leitura, comparação e revisão, quem confere cada resultado e como tratar falhas. O procedimento deve preservar os documentos de referência.
Não confundir com
encadeamento de prompts, que é a divisão de um pedido dentro de uma conversa. O workflow é o procedimento, e sobrevive à conversa.
Exemplo
Revisão de minuta: leitura; identificação de problemas formais; comparação com a versão anterior; marcação das alterações de conteúdo; validação pelo advogado — nessa ordem, sempre.

Tarefa (task)

Conceito
Unidade delimitada de trabalho, com objetivo único, material definido e resultado reconhecível.
O que decidir
Um teste simples: se você não consegue dizer como saberá que a tarefa foi bem executada, ela ainda não está recortada.
Exemplo
Separar “identificar repetições”, “apontar passagens ambíguas” e “verificar coerência entre fundamentos e pedido” em três pedidos, cada um com produto conferível.

Execução (run)

Conceito
Cada rodada concreta de um fluxo ou agente, com seu material de entrada, seus passos e seu resultado. O mesmo fluxo produz execuções distintas a cada aplicação.
Exemplo
Cinquenta decisões analisadas pelo mesmo fluxo geram cinquenta execuções. Ao encontrar erro na décima sétima, é possível verificar se as instruções mudaram no meio da série.

Handoff

Conceito
Passagem de uma tarefa de uma etapa, função ou agente para outro, com transferência do produto da etapa anterior.
No trabalho jurídico
Ao passar da pesquisa para a redação, transfira também fontes, versões, lacunas e limites da análise. Uma conclusão provisória não deve chegar à etapa seguinte como fato confirmado.
Não confundir com
delegação. O handoff é passagem entre etapas de um fluxo desenhado; a delegação é a decisão, humana, de entregar a tarefa à máquina.
Exemplo
Um agente resume a decisão; o seguinte transforma o resumo em quadro de providências. Se o resumo trocou o fundamento determinante, o quadro sai coerente e errado.

Ferramenta (tool)

Conceito
Recurso externo que o modelo pode acionar para fazer o que ele próprio não faz: ler um arquivo, buscar na internet, executar um cálculo, consultar uma base, gravar um documento.
Exemplo
Localizar, em quarenta documentos, todas as passagens em que aparece determinada cláusula exige uma ferramenta de busca em arquivos; sem ela, o modelo responde por aproximação sobre o que couber na janela de contexto.

Skills

Conceito
Módulos de instrução especializados que um agente carrega quando a tarefa os exige, reunindo método, formato e cautelas de determinado tipo de trabalho.
No trabalho jurídico
Permitem organizar instruções, modelos e recursos de um procedimento recorrente, como síntese de decisões ou revisão de minutas. Reutilizar a mesma orientação favorece consistência, mas não assegura execução idêntica nem dispensa conferência.
Não confundir com
instrução permanente, que vale para tudo. A skill entra em cena apenas quando aquele tipo de tarefa aparece.
Exemplo
Skill de conferência pré-protocolo: competência, tempestividade, correspondência entre fundamentos e pedido, nomes, datas e anexos — sempre na mesma ordem.

Fontes conceituais Agent Skills — instruções e recursos reutilizáveis

AGENTS.md

Conceito
Arquivo de instruções colocado dentro de um projeto para orientar o agente que ali trabalhar: regras, limites, padrões de organização e forma de atuação.
Erro comum
escrever o arquivo e presumir observância integral. Vale o que vale toda instrução em linguagem natural: reduz o desvio, não o elimina.
Exemplo
Arquivo que fixa, para o projeto de um caso: não alterar a tese central; não citar precedente que não esteja na pasta; separar problema de forma de problema de conteúdo; nunca sobrescrever versão anterior de minuta.

Sandbox

Conceito
Ambiente de execução com restrições de acesso a arquivos, rede e outros recursos. O isolamento depende das regras e permissões efetivamente configuradas; não implica ausência absoluta de acesso externo.
No trabalho jurídico
Ajuda a limitar os efeitos de um teste, conforme os recursos isolados e as permissões concedidas. Antes da execução, confira se há acesso à rede ou escrita em pastas compartilhadas. Isolamento de execução e proteção de sigilo exigem verificações distintas.
O que decidir
Teste todo fluxo novo sobre cópias, em ambiente isolado, antes de apontá-lo para a pasta de trabalho. Se o material do teste for sensível, o isolamento não dispensa a avaliação do fornecedor.
Exemplo
Rodar a nova lógica de renomeação sobre uma cópia de vinte arquivos e conferir o resultado antes de aplicá-la ao acervo.

Fontes conceituais NIST — sandbox

MCP (Model Context Protocol)

Conceito
Protocolo aberto que padroniza como uma ferramenta de IA se conecta a fontes externas de dados e a sistemas — arquivos, bases, aplicativos. Em vez de uma integração feita sob medida para cada par de sistemas, um padrão comum.
O que decidir
Trate cada conexão como concessão de permissão, e não como recurso de conveniência: o que ela lê, o que ela pode alterar, e se continua necessária depois de encerrado o trabalho que a motivou.
Exemplo
Em exercício fictício, uma conexão permite consultar uma pasta de documentos. O protocolo padroniza a comunicação; o acesso efetivo depende do servidor, da autenticação e das permissões concedidas.

Fontes conceituais MCP — arquitetura e comunicação

Conector (connector)

Conceito
Ligação configurada entre a ferramenta de IA e um serviço externo — e-mail, agenda, nuvem de arquivos, sistema interno — que permite a leitura e, conforme a permissão, a alteração de conteúdo naquele serviço.
No trabalho jurídico
Confira quais pastas, mensagens ou serviços ficam acessíveis e se a conexão permite alterações. Uma autorização para localizar um documento não deve ser presumida como acesso irrestrito ao acervo.
O que decidir
Revise as concessões periodicamente e revogue o que não estiver em uso. Conector de leitura sobre caixa de entrada é também a principal porta de entrada para injeção de instrução.
Exemplo
Autorização concedida para localizar um contrato específico na nuvem do escritório, que permanece ativa meses depois, alcançando pastas de casos que nada tinham a ver com aquele pedido.

API (Application Programming Interface)

Conceito
Interface que permite a um programa acionar outro diretamente, sem passar por tela. É o caminho pelo qual sistemas trocam dados e funções entre si.
No trabalho jurídico
O acesso por API pode ter contratação, cobrança, retenção e condições de uso de dados próprias. A interface técnica não assegura proteção superior: confira os termos aplicáveis ao serviço, à conta e à operação antes de processar documentos.
Não confundir com
conector. O conector é a ligação já configurada, oferecida pelo produto; a API é o meio técnico que a torna possível, e cujo uso direto exige desenvolvimento.
Exemplo
Rotina que envia mil decisões para análise e recebe os resultados em formato estruturado, sem que ninguém abra a interface do produto.

Chave de API (API key)

Conceito
Credencial que identifica quem está acionando um serviço por API e a que conta atribuir o uso e o custo. Funciona como senha, com a diferença de circular dentro de arquivos de configuração.
No trabalho jurídico
A exposição da chave pode permitir uso indevido do serviço e gerar custos. Não a inclua em minutas, conversas ou arquivos compartilhados; confira o alcance da credencial e as condições de revogação.
O que decidir
Uma chave por finalidade, guardada fora dos arquivos do projeto, substituída quando alguém deixa a equipe ou quando houver suspeita de exposição.
Exemplo
Chave incluída em arquivo de configuração enviado por e-mail ao suporte de um fornecedor, e nunca substituída depois.

Log

Conceito
Registro sequencial de eventos de um sistema: o que foi executado, quando, sobre qual material, com qual resultado ou falha.
No trabalho jurídico
O registro pode ajudar a conferir quais arquivos foram lidos e quais falharam. Verifique sua abrangência e proteja seu conteúdo: registros também podem conter dados pessoais, trechos sigilosos ou credenciais.
Não confundir com
rastreabilidade, que é a propriedade. O log é um dos meios de obtê-la.
Exemplo
Registro que mostra que três dos quarenta arquivos falharam na leitura por má digitalização — e que, portanto, não entraram na análise que se acreditava completa.

Rastreabilidade (traceability)

Conceito
Possibilidade de reconstruir o percurso de elaboração de um texto ou fluxo: o que foi alterado, quando, por quem ou por qual sistema, e a partir de qual versão.
No trabalho jurídico
Ajuda a identificar qual documento e versão sustentaram uma minuta, quais alterações foram feitas e quem as conferiu. Preserve esse percurso junto dos materiais de referência.
O que decidir
Distinga, no registro, o que mudou de forma e o que mudou de conteúdo. É a distinção que qualquer conferência posterior vai procurar primeiro.
Exemplo
Petição revisada internamente e depois ajustada com apoio de IA, em que se consegue identificar cada intervenção e separar reescrita formal de alteração substancial.

Template

Conceito
Modelo pré-estruturado que serve de base à repetição organizada de um documento ou de uma análise.
No trabalho jurídico
Bem usado em quadros de análise, roteiros de revisão e sínteses de decisão, onde a uniformidade é o que permite comparar. O cuidado é conhecido de qualquer banca: modelo aplicado sem releitura carrega para o caso novo o que pertencia ao antigo — e o parágrafo herdado costuma ser exatamente o que o adversário nota.
Não confundir com
schema. O template organiza o texto para leitura humana; o schema define campos para processamento.
Exemplo
Modelo de síntese de decisão com órgão julgador, pedido, fundamento determinante, resultado, prazo e observações, aplicado a toda a série.

Checklist

Conceito
Lista de verificações a cumprir antes de concluir uma tarefa, com itens formulados como ação e na ordem de execução.
No trabalho jurídico
Em uma revisão de minuta, use itens verificáveis, como conferir nomes, datas, anexos e correspondência entre fundamentos e pedidos. A lista ajuda a evitar omissões, mas não substitui o exame do conteúdo.
Erro comum
checklist longo demais para ser cumprido, que passa a ser assinado sem leitura. Doze itens cumpridos valem mais que quarenta ignorados.
Exemplo
Conferência pré-protocolo: competência, tempestividade, correspondência entre fundamentos e pedido, valor da causa, nomes e qualificações, datas, anexos, assinatura.

Chatbot

Conceito
Sistema que interage por conversa, em texto ou voz. Pode usar regras predefinidas ou modelos de IA; o formato de conversa não informa, sozinho, quais ações o sistema pode executar.
Exemplo
Em exercício fictício, o chatbot explica os campos de um quadro de leitura; a conferência do quadro e das fontes permanece com o participante.

Fontes conceituais IBM — chatbots

Assistente de IA

Conceito
Aplicação de IA que auxilia o usuário em tarefas. Pode combinar conversa, arquivos e ferramentas; o nome assistente não estabelece um grau uniforme de autonomia.
Exemplo
Em exercício fictício, o assistente compara duas versões de uma minuta e apresenta diferenças, sem substituir o original.

Fontes conceituais Anthropic — sistemas com ferramentas e memória

Princípio do menor privilégio (least privilege)

Conceito
Princípio de segurança pelo qual usuários e sistemas recebem apenas os recursos e autorizações necessários à função atribuída. Aplica-se ao alcance do acesso, às operações permitidas e à duração da autorização.
No trabalho jurídico
Defina se a ferramenta precisa ler, criar, alterar ou enviar e restrinja o acesso ao material pertinente. Acesso de leitura pode permitir exposição de conteúdo; confira também rede, compartilhamento e serviços conectados.
Não confundir com
ponto de aprovação. O menor privilégio delimita capacidades; o ponto de aprovação exige uma decisão antes de executar determinada ação. Os controles podem ser combinados.
Exemplo
Em exercício fictício de inventário, permitir leitura apenas da pasta de amostra, sem escrita nos originais e sem acesso a e-mail ou outras pastas.

Fontes conceituais NIST — least privilege